No dia 2 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista ganha ainda mais relevância — especialmente quando se trata do diagnóstico em adultos.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que uma em cada 100 pessoas está dentro do espectro. Apesar disso, muitos indivíduos só descobrem o TEA na vida adulta, após anos de dificuldades emocionais, sociais e sensação constante de inadequação.
Segundo a terapeuta Marcela Santana, coautora do livro Além do Diagnóstico, o autismo em adultos ainda é pouco reconhecido e frequentemente confundido com traços de personalidade ou questões isoladas.
“O diagnóstico tardio não apaga uma vida inteira de tentativas de se encaixar em um mundo que pouco compreende as diferenças”, afirma a especialista.
Ela destaca que reconhecer sinais menos evidentes pode ser essencial para antecipar cuidados e melhorar a qualidade de vida.
Cinco sinais de autismo em adultos
1. Sensação persistente de não pertencimento
Mesmo em ambientes familiares ou entre amigos, é comum sentir-se deslocado, como se estivesse sempre “fora do lugar”.
2. Dificuldades na comunicação
Interpretação literal da linguagem, dificuldade em entender nuances sociais e desconforto em interações são sinais frequentes.
3. Cansaço social intenso
Interações sociais podem causar esgotamento extremo, exigindo longos períodos de recuperação — muitas vezes confundido com timidez.
4. Comportamentos repetitivos ou necessidade de controle
Rotinas rígidas e desconforto com mudanças podem funcionar como forma de regulação emocional.
5. Hipersensibilidade sensorial
Sensibilidade a sons, luzes, cheiros ou texturas pode impactar diretamente o bem-estar.
“Muitos adultos passam anos sendo vistos como difíceis ou inadequados, quando, na verdade, estão apenas tentando se adaptar a um mundo que não os acolhe”, pontua a especialista.
Marcela Santana também reforça que o diagnóstico tardio é um ponto de virada importante.
“Cuidar da saúde mental deve ser uma prioridade diária. Falar sobre autismo em adultos é evitar que problemas maiores se desenvolvam em quem passou décadas sem respostas”, conclui.