“Você sente que é diferente.” O lema usado pelo trade turístico de Boipeba, uma das ilhas ocupadas do município-arquipélago de Cairu, resume o esforço de construir uma experiência em comunidade. As praias e a natureza são o cartão de visita, mas os números ainda estão abaixo do potencial do destino.
A preocupação dos moradores tem motivo. Outros destinos, inclusive baianos, passaram pelo mesmo embate entre crescer e se descaracterizar, e muitos perderam. Em Boipeba ainda se anda tranquilamente com objetos de valor na mão e se caminha de madrugada sem risco, com índices de criminalidade baixíssimos.
O caso mais emblemático dessa tensão é o resort de luxo projetado para a região da Praia dos Castelhanos, uma das mais procuradas, em um terreno que ocupa 20% da ilha. Entre os boipebanos, as opiniões se dividem: há quem veja a chegada de um turista mais qualificado e retorno para a comunidade de Cova da Onça, e há quem tema o efeito da chegada de empresários de grande porte sobre o modo de vida local.
Mesmo sem a primeira estaca batida, o debate já produziu avanços. Um dos pontos questionados é a construção de um aeródromo na área e a proteção das aves da região: como não se sabia quantas espécies existem ali, um grupo criou um observatório para levantar esses dados.
Outro elo importante do turismo local é a gastronomia. Com restaurantes espalhados pelos vilarejos, a ilha serve pratos simples e elaborados, e boa parte dos insumos é produzida ali mesmo pelos moradores — do dendê, que virou ponto de visitação, à farinha feita com a mandioca plantada na ilha, vendida aos restaurantes.