No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, um levantamento do Instituto Autismos revelou um retrato importante da realidade brasileira: as mulheres são as principais responsáveis pelo cuidado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
A pesquisa, que reuniu mais de 23 mil respostas em todo o país, aponta que a maioria dos cuidadores são mães ou responsáveis do sexo feminino. Muitas delas, inclusive, acabam deixando o mercado de trabalho para se dedicar integralmente aos filhos, o que evidencia a sobrecarga emocional e financeira enfrentada no dia a dia.
A história da advogada Anaiara Ribeiro exemplifica esse cenário. Mãe de João, diagnosticado com autismo aos 8 anos, ela reorganizou completamente a rotina para acompanhar o desenvolvimento do filho. Anos depois, comemorou ao vê-lo ingressar na faculdade — um marco que também a motivou a iniciar um novo ciclo acadêmico ao lado dele.
Entre os dados considerados positivos pelo estudo está o avanço no diagnóstico precoce. Atualmente, a média de identificação do autismo no Brasil gira em torno dos 4 anos de idade, alinhada a padrões internacionais. Antes, esse reconhecimento costumava ocorrer mais tarde, o que dificultava o início de intervenções e terapias.
Apesar desse progresso, os desafios ainda são significativos. As famílias relatam gastos mensais superiores a R$ 1 mil com tratamentos, recorrendo tanto a planos de saúde quanto ao sistema público. Nas regiões Norte e Nordeste, a dependência do SUS é ainda maior.
Em resposta, o Ministério da Saúde informou a ampliação da rede de atendimento, com investimento de R$ 83 milhões e a criação de novos serviços especializados, como Centros de Reabilitação e suporte multidisciplinar.
O estudo também reforça a importância do diagnóstico para garantir direitos, como acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), inclusão na educação e políticas de assistência. Além disso, benefícios em espaços de lazer e serviços também fazem parte das garantias previstas.
Para especialistas, o cenário evidencia não apenas avanços na conscientização, mas também a necessidade de fortalecer políticas públicas e redes de apoio, especialmente para mulheres que, na maioria dos casos, assumem sozinhas a responsabilidade pelo cuidado.