Em seu primeiro pronunciamento apA?s a aprovaA�A?o do impeachment pelo Senado, a agora ex-presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (31) que a decisA?o dos senadores A� o segundo golpe de estado que enfrenta na vida. A petista disse ainda que os senadores que votaram pelo seu afastamento definitivo rasgaram a ConstituiA�A?o e consumaram um golpe parlamentar.
“A� o segundo golpe de estado que enfrento na vida. O primeiro, o golpe militar, apoiado na truculA?ncia das armas, da repressA?o e da tortura, me atingiu quando era uma jovem militante. O segundo, o golpe parlamentar desfechado hoje por meio de uma farsa jurA�dica, me derruba do cargo para o qual fui eleita pelo povo.”
A petista comparou ainda a decisA?o do Senado a uma “eleiA�A?o indireta” que substitui o resultado das eleiA�A�es de 2014, em que ela foi reeleita. E afirmou que irA? “recorrer em todas as instA?ncias possA�veis” contra o impeachment.
“Hoje, o Senado Federal tomou uma decisA?o que entra para a histA?ria das grandes injustiA�as. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a ConstituiA�A?o Federal. Decidiram pela interrupA�A?o do mandato de uma presidenta que nA?o cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.”, disse.
Dilma fez o pronunciamento no PalA?cio da Alvorada, em BrasA�lia, ao lado de um grupo de aliados, entre eles o ex-presidente Luiz InA?cio Lula da Silva. TambA�m acompanharam o discurso cerca de 30 manifestantes contrA?rios ao impeachment que protestavam em frente ao Alvorada e que foram autorizados a entrar.
O plenA?rio do Senado aprovou nesta quarta, por 61 votos favorA?veis e 20 contrA?rios, o impeachment de Dilma Rousseff. A presidente afastada foi condenada sob a acusaA�A?o de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal a�� as chamadas “pedaladas fiscais” no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorizaA�A?o do Congresso Nacional, mas nA?o foi punida com a inabilitaA�A?o para funA�A�es pA?blicas. Com isso, ela poderA? se candidatar para cargos eletivos e tambA�m exercer outras funA�A�es na administraA�A?o pA?blica.
Corruptos investigados
Em seu pronunciamento, Dilma tambA�m disse que, com seu impeachment, “polA�ticos que buscam desesperadamente escapar do braA�o da JustiA�a” junto aos “derrotados nas A?ltimas quatro eleiA�A�es” assumem o poder.
“Causa espanto que a maior aA�A?o contra a corrupA�A?o da nossa histA?ria, propiciada por aA�A�es desenvolvidas e leis criadas a partir de 2003 e aprofundadas em meu governo, leve justamente ao poder um grupo de corruptos investigados.”
Dilma tambA�m afirmou que o impeachment interrompe o “projeto nacional progressista, inclusivo e democrA?tico” que ela representa e que isso estA? sendo feito por uma “poderosa forA�a conservadora e reacionA?ria, com o apoio de uma imprensa facciosa e venal.”
“O golpe A� contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepA�A�es: direito ao trabalho e A� proteA�A?o de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito A� moradia e A� terra; direito A� educaA�A?o, A� saA?de e A� cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua histA?ria; direitos dos negros, dos indA�genas, da populaA�A?o LGBT, das mulheres; direito de se manifestar sem ser reprimido.”
“O golpe A� contra o povo e contra a NaA�A?o. O golpe A� misA?gino. O golpe A� homofA?bico. O golpe A� racista. A� a imposiA�A?o da cultura da intolerA?ncia, do preconceito, da violA?ncia”, afirmou a petista.
Fonte: Globo.com