Fit, proteico ou zero: rótulos podem esconder alimentos ultraprocessados

Barrinhas de proteína, biscoitos “fit”, shakes e bebidas lácteas proteicas ganharam espaço na rotina de quem busca praticidade sem abrir mão da saúde. Mas termos como “fit”, “zero açúcar”, “rico em fibras” ou “alto teor de proteína” não transformam automaticamente um produto em escolha saudável.

Uma pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva analisou 146 alimentos vendidos no Brasil com os termos “fit” ou “fitness” e constatou que 79% eram ultraprocessados. Além disso, 80% traziam outras alegações positivas na embalagem, como “sem glúten” ou “vegano”.

“O risco está justamente em achar que, por trazer esses apelos nutricionais, o produto pode substituir a alimentação de verdade no dia a dia do paciente”, afirma a nutróloga Maria Beatriz Leme Monteiro. Segundo ela, um item pode ter muita proteína e, ao mesmo tempo, ser ultraprocessado, com açúcares, gorduras e aditivos.

Para não cair na armadilha, a orientação é ler a lista de ingredientes, conferir a tabela nutricional e observar a lupa frontal da Anvisa, que indica alto teor de açúcar adicionado, gordura saturada ou sódio.

As especialistas não recomendam abolir os produtos práticos, mas usá-los como exceção. Para lanches rápidos, sugerem castanhas, frutas, ovos cozidos, alguns queijos e iogurte natural sem açúcar, em linha com o Guia Alimentar para a População Brasileira, que coloca os alimentos in natura e minimamente processados como base da alimentação.

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