O governo dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (5) um documento que defende o fim das políticas de migração em massa no mundo e o reforço do controle de fronteiras, apontado como “elemento principal da segurança nacional” americana. A gestão do presidente Donald Trump é reconhecida por medidas rígidas contra imigração, como o projeto do muro na fronteira com o México — promessa desde seu primeiro mandato. As informações são da Folha de S. Paulo.
Intitulado “Estratégia Nacional de Segurança”, o texto afirma que “a era das migrações em massa deve chegar ao fim” e que os EUA atuarão para “restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental”. Segundo o documento, após “anos de negligência”, Washington deverá reforçar sua posição geopolítica e sua capacidade de proteger regiões consideradas estratégicas.
Reajuste militar e foco em ameaças
Sem citar países, o governo defende um reposicionamento da “presença militar global” com o objetivo de enfrentar “ameaças urgentes” e se afastar de cenários que perderam relevância para a segurança americana ao longo dos anos.
O documento amplia a visão “America First”, marca da política externa de Trump, e destaca a necessidade de proteger o território americano não apenas contra migrações descontroladas, mas também contra terrorismo, tráfico de drogas, espionagem e tráfico de pessoas.
Ao longo de suas 33 páginas, o texto reafirma que a liderança dos EUA no Ocidente é condição para a segurança e prosperidade do país. O documento sugere condicionar alianças e ajuda internacional à redução da “influência estrangeira adversária”, mencionando desde o controle de portos e infraestrutura até a aquisição de ativos estratégicos.
Referências indiretas e relação com a China
Embora não cite explicitamente a China — com quem Trump mantém disputas sobre minerais críticos e influência no Canal do Panamá —, o documento afirma que os EUA buscarão “reequilibrar” a relação econômica com Pequim com foco em “reciprocidade e equidade”, para recuperar autonomia econômica.
Ao mesmo tempo, alerta sobre “potências estrangeiras” que teriam reforçado influência em países latino-americanos e poderiam comprometer a soberania dos EUA. O texto não nomeia nações, nem menciona a Venezuela, alvo frequente de críticas de Trump.
Críticas à Europa e à Guerra da Ucrânia
O documento também faz críticas ao posicionamento de aliados europeus em relação à guerra na Ucrânia. Para Washington, é de “interesse fundamental” negociar rapidamente o fim das hostilidades, a fim de estabilizar a economia do continente.
Segundo o texto, o conflito aumentou a “dependência externa” da Europa, especialmente da Alemanha. Afirma ainda que o governo Trump discorda de “expectativas irrealistas” de alguns líderes europeus sobre o desfecho da guerra.
Após a publicação, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, rebateu o documento ao afirmar que o país não precisa de “conselhos externos” e defendeu a autonomia alemã para decidir questões de liberdade de expressão e organização social.
Apesar do tom crítico, o documento reforça que os EUA pretendem manter seus aliados europeus como parceiros estratégicos e apoiar a preservação da “identidade ocidental”. Para Washington, tendências migratórias atuais podem tornar a Europa “irreconhecível em 20 anos”.