A vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, disse ser vítima de lawfare –perseguição de adversários através da Justiça– assim como, segundo ela, ocorre com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ela é acusada de liderar um esquema de desvio de verbas públicas. O julgamento está marcado para esta terça-feira (6).
“A diferença é que as mesmas pessoas que o meteram preso depois foram buscá-lo e reverteram o que tinham feito. E por quê? Porque chegou [Jair] Bolsonaro, um personagem que fez muito mal ao país e a muitos atores da vida brasileira”, disse em entrevista à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (5).
Cristina fala em um “Partido Judicial”, que substituiu o “Partido Militar” na América Latina. “A doutrina de Segurança Nacional e as ditaduras militares já não eram bem vistas para controlar a vontade popular e o surgimento de movimentos populares”, declarou.
“Surge então o ‘Partido Judicial’ –que persegue lideranças populares e protege governos como o de [de seu principal opositor, o ex-presidente Mauricio] Macri.”
Conforme a política, a função desse “partido” é “disciplinar os líderes políticos que defendem mudanças”. Há também “uma tentativa de obstruir essas políticas, estigmatizando governos populares, dizendo que são ladrões”.
Ela deu como exemplo o pleito vencido este ano por Lula. “Eu vi nessas últimas eleições no Brasil jovens dizendo: ‘Não vamos votar no Lula porque ele foi preso, não vamos votar em presidiário, em ladrão”, disse. “Essa é a construção do senso comum por parte não apenas do Judiciário, mas também da mídia.”
Cristina não quis dar detalhes sobre a conversa que teve com Lula depois da vitória contra Jair Bolsonaro (PL). “Mas tivemos um diálogo muito bom sobre a visão dele do que hoje precisa ser feito no Brasil. Eu o vi muito sereno, firme, seguro e claro”, afirmou a argentina.
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