MiCA e os impactos das criptomoedas na economia baiana: entre riscos e oportunidades

A entrada em vigor do regulamento europeu MiCA, prevista para 2024 e 2025, reacendeu o debate sobre como a normalização do mercado de criptoativos pode influenciar economias locais, inclusive na Bahia. Dependente de pequenas e médias empresas (PMEs) nos setores de serviços, comércio e turismo, o estado busca novas ferramentas de financiamento e competitividade em um cenário cada vez mais digital.

O MiCA estabelece parâmetros claros de transparência, governança e proteção de investidores. Embora criado para o ambiente europeu, pode abrir caminho para maior confiança no uso de ativos digitais em mercados emergentes. Para pequenos empresários baianos, que ainda enfrentam entraves de crédito, a possibilidade de acessar capitais por meio de tokens ou ofertas simplificadas pode representar uma alternativa concreta de liquidez.

Oportunidades e barreiras para as PMEs

A adoção de criptoativos, porém, não vem sem custos. Cumprir requisitos de compliance, investir em consultorias e sistemas de segurança digital exigirá um esforço adicional das empresas locais, muitas delas marcadas pela informalidade. Esse movimento pode acelerar a profissionalização, mas também ampliar desigualdades entre quem consegue se adaptar e quem ficará para trás.

Stablecoins e exportações baianas

Um dos pontos centrais do MiCA é a regulamentação das stablecoins, moedas digitais de menor volatilidade. Para produtores baianos de cacau, frutas e têxteis, esse instrumento pode facilitar exportações, encurtar prazos de pagamento e reduzir dependência de bancos internacionais. Um exportador em Ilhéus, por exemplo, poderia negociar diretamente com compradores estrangeiros, minimizando perdas cambiais e garantindo maior previsibilidade de caixa.

Drex e inclusão financeira

No Brasil, a agenda do Drex, moeda digital do Banco Central, corre em paralelo. Para municípios baianos que ainda enfrentam escassez de agências bancárias, a iniciativa pode significar maior inclusão financeira e redução de custos de transação. A credibilidade estatal do Drex tende a facilitar a aceitação em massa, mas o acesso desigual à internet segue sendo obstáculo para parte da população do interior.

Desafios de segurança e adaptação

Ao mesmo tempo em que abre novas possibilidades, o avanço das criptomoedas amplia os riscos de golpes virtuais e fraudes. Para pequenos negócios, medidas básicas como autenticação multifator e custódia segura deixam de ser opcionais. Associações comerciais e entidades setoriais podem ter papel crucial em orientar empresas sobre como equilibrar inovação e prudência.

Perspectivas

Mais do que leis ou tecnologias, o futuro dos criptoativos na Bahia depende de transformações culturais. Muitos comerciantes ainda resistem ao dinheiro digital, enquanto a juventude conectada pressiona pela adoção de novos meios de pagamento. Se bem aproveitada, a convergência entre MiCA, Drex e stablecoins pode inserir micro e pequenas empresas baianas em uma rede de transações globalizada, fortalecendo sua posição no comércio internacional.

Burburinho News
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