Era para ser um domingo de sol e diversA?o na Praia da Reserva, mas o passeio de Sulamita Mermier, de 31 anos, se transformou num verdadeiro transtorno quando frases como a�?NasA�a branca da prA?xima veza�? e a�?VocA? A� uma complexada por ter cabelo duroa�? entraram em cena. As a�?pA�rolasa�? foram ditas por uma mulher que se revoltou quando percebeu que a agente de viagens gravava alguns de seus impropA�rios racistas, tornando-se alvo da fA?ria da banhista. Por fim, policiais da 16 A? Delegacia de PolA�cia levaram a mulher para prestar esclarecimentos, e ela foi presa em flagrante por injA?ria e injA?ria por preconceito, mas liberada provisoriamente apA?s pagar fianA�a de R$ 500.
Segundo Sulamita, a mulher conversava com o marido e duas jovens num volume alto o suficiente para ser escutado com clareza. E, enquanto relatava orgulho de ser descendente de alemA?es, chegou a chegou a repetir a famosa saudaA�A?o nazista a�?Heil, Hitlera�?. Foi quando decidiu registrar o que presenciava.
a�� Ela nA?o parava de falar os maiores absurdos racistas e comecei a ficar incomodada. AtA� o marido dela chegou a alertA?-la que acabaria presa, mas ela nA?o parou. NA?o falei nada com ela, mas decidi gravar um aA?dio. Quando o marido dela percebeu, ela ficou exaltada e decidiu voltar os insultos para mim. a�� explicou Sulamita.
A agente de viagens conta que decidiu fazer o vA�deo quando a polA�cia jA? estava a caminho, e acabou gravando cerca de um minuto da confusA?o que, segundo ela, jA? contabilizava mais de duas horas. A mulher parte em direA�A?o A� cA?mera de maneira desafiadora e joga um beijo antes de comeA�ar a falar: a�?Eu nA?o tenho culpa de vocA? se sentir agredida por ser mulata, amor. VocA? A� uma complexada. NasA�a branca. Entendeu? VocA? nasceu mulata, fazer o quA??a�?, diz.
a�� Eu nA?o tenho nenhum problema em ser mulata, mas eu nA?o entendi toda aquela raiva com pessoas de outra cor. A maneira como ela julgava a cor da pele das pessoas era mais do que absurda, especialmente num paA�s como o Brasil. Eu nA?o sabia o que fazer, entA?o gravei o que ela dizia, mas quando ela veio falar comigo eu nA?o sabia nem como me defender. NA?o queria ofendA?-la a�� diz Sulamita, lembrando de alguns dos momentos que considerou mais ofensivos: a�� Ela chegou a dizer para eu tomar sol no penico, que tinha nojo do meu marido, que A� estrangeiro (suA�A�o), que tinha nojo dele por tocar em mim a�� contou.
Em outro trecho da gravaA�A?o, a mulher nega que tenha se dirigido a Sulamita. a�?Eu nA?o chamei vocA? de mulata, eu estava conversando com a minha famA�lia e vocA? se ofendeu. Sorry, vocA? A� mulata. Eu nA?o tenho culpa. DA? graA�as a Deus que vocA? pegou um alemA?o (em referA?ncia ao marido de Sulamita, um suA�A�o)a�?. Depois, desafia a agente de viagens a ir A� delegacia: a�?VocA? vai pagar mico, porque eu nA?o sei quem vocA? A�. Eu sei quem eu sou. VocA?, nunca vi. Tem que vir pra cA? por quA?? Faz um penico no fundo da sua casa para pegar sol!a�?.
JA? era fim de tarde quando policiais chegaram A� praia e a levaram prestar esclarecimentos na 16A? Delegacia de PolA�cia da Barra, onde o caso foi registrado.
a�� NA?o tinha como ouvir tudo aquilo sem fazer nada, e nA?o quero de verdade que ela apenas tenha que pagar cestas bA?sicas no final do processo. Quero justiA�a. NA?o a agredi, mas procurei meus direitos. O pior A� que, na internet, as pessoas tA?m comentado o vA�deo como se fosse exagero meu, e como se eu nA?o tivesse gostado de ser chamada de mulata. Tenho orgulho da minha cor, nA?o A� a�?mimimia�?a�� afirma.
Os A?ltimos momentos do vA�deo sA?o marcantes. a�?NasA�a branca da prA?xima vez. VocA? A� uma complexada, entendeu? Por ter cabelo duroa�?, disparou a mulher. Postado no Facebook por um amigo de Sulamita, o registro jA? tem mais de trinta mil compartilhamentos e foi visto mais de duas milhA�es de vezes.
De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de JustiA�a, a suspeita nA?o poderA? deixar a cidade do Rio de Janeiro sem autorizaA�A?o judicial durante o processo e terA? que se apresentar ao juiz todo mA?s.
Fonte: Extra