Nobel de Química premia dupla que desvendou mistério das moléculas-espelho

Vencedores do Nobel de Química de 2026, os químicos Henri B. Kagan, da França, e Kenso Soai, do Japão, resolveram o mistério da amplificação das moléculas assimétricas, também chamadas de moléculas-espelho, uma descoberta importante tanto para potencializar medicamentos quanto para entender a origem da vida.

A Real Academia Sueca de Ciências anunciou os vencedores na quarta-feira (7). Os dois vão dividir cerca de R$ 6 milhões pela honraria.

Muitas moléculas importantes para a biologia têm duas formas espelhadas, as moléculas quirais, como a mão esquerda e a mão direita. Elas têm a mesma fórmula e os mesmos átomos, mas se organizam no espaço de modo invertido e não podem ser sobrepostas.

Na produção de remédios, isso faz diferença: uma molécula pode encaixar perfeitamente nos receptores do organismo e gerar o efeito desejado, enquanto a versão espelhada pode ser inerte ou causar efeitos colaterais.

“O trabalho é particularmente interessante porque envolve a autocatálise: o próprio produto da reação ajuda a produzir mais moléculas com a mesma orientação. Assim, uma pequena vantagem inicial de uma das formas é amplificada”, explicou o professor Luiz Gustavo Possato, do Departamento de Química da Unesp.

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