O jejum pedido antes de exames e cirurgias tem motivos diferentes, mas o objetivo é o mesmo: a segurança do paciente e a precisão do resultado.
Na anestesia geral ou na sedação profunda, o corpo perde reflexos de defesa, como a tosse e o fechamento automático das vias aéreas. Com comida no estômago, aumenta o risco de broncoaspiração, quando o conteúdo do estômago volta pela garganta e entra nos pulmões. “A anestesia geral deprime esses reflexos de proteção e, quanto mais profundo o nível de sedação, maior essa perda de proteção”, explica o anestesiologista Rodolfo Araújo, do Hospital Mater Dei Goiânia.
Segundo ele, líquidos claros, como água, chá e café sem leite, saem do estômago muito mais rápido. “As diretrizes atuais permitem a ingestão de líquidos claros até 2 horas antes da cirurgia, enquanto alimentos sólidos exigem um jejum mais longo, geralmente de 6 a 8 horas”. Em cirurgias de emergência, sem tempo para esperar, a equipe usa a chamada indução em sequência rápida para proteger a via aérea.
Nos exames de sangue, o motivo é outro. “Após as refeições, os níveis de glicose e triglicerídeos sobem temporariamente, podendo alterar o aspecto do sangue”, afirma a radiologista Priscilla Tashiro. O excesso de gordura deixa a amostra turva, o que pode atrapalhar a leitura.
A regra ficou mais leve em alguns casos: o perfil lipídico, na maioria das vezes, não exige mais as antigas 12 horas de jejum. Já a glicemia ainda pede pelo menos oito horas sem comer.
No ultrassom abdominal, a comida pode contrair a vesícula e aumentar os gases no intestino. “Nesses casos, pelo menos quatro horas de jejum costumam ser necessárias”, diz Tashiro. Na dúvida, siga sempre a orientação do laboratório ou do médico.