Com o surgimento das redes sociais, e-mails perderam a predominA?ncia na comunicaA�A?o on-line. No entanto, nos A?ltimos anos essa tendA?ncia parece estar se invertendo, e as newsletters vivem uma espA�cie de renascimento.
Produtores de conteA?do on-line tA?m apostado nesse tipo de comunicaA�A?o para ter uma relaA�A?o mais prA?xima com os leitores, deixando de lado a abundA?ncia de informaA�A�es em mA�dias como Facebook e Twitter.
“HA? uma quantidade de informaA�A?o crescendo exponencialmente na internet, e o e-mail hoje A� o aconchego de um lugar que eu posso controlar”, explica o jornalista e pesquisador Moreno Cruz OsA?rio, 34, que hA? dois anos produz a newsletter do Farol Jornalismo, sobre comunicaA�A?o.
Para a advogada Anna Haddad, 30, uma das criadoras da plataforma de aprendizagem Cinese e do site Comum -voltado para mulheres-, a popularidade das newsletters representa o retorno a um espaA�o de escuta. “O e-mail permite uma conversa mais significativa, tem outro tempo de leitura, um pouco mais lento. A� diferente das redes sociais.”
As newsletters de Anna e OsA?rio comeA�aram com postagens no Facebook, mas o fato de os algoritmos da rede social nA?o entregarem para todos os leitores o conteA?do publicado os fez migrar para o e-mail. OsA?rio observa que, ao mesmo tempo que hA? um movimento de volta para a newsletter, hA? outro de afastamento das redes sociais. “Tem gente que diz ‘que legal teve a coragem de sair do Facebook’, mas nA?o saA�. O que preferi fazer foi tentar controlar de alguma maneira a minha distribuiA�A?o.”
Para o jornalista e criador do site Manual do UsuA?rio, Rodrigo Ghedin, 29, que hA? quatro anos escreve uma newsletter sobre tecnologia, essa retomada das listas de e-mail se encaixa no movimento “slow web” (internet lenta), que se inspira no slow food italiano do fim dos anos 1980 para oferecer uma alternativa menos frenA�tica A� internet comercial de hoje.
Ghedin aponta a possibilidade de aprofundamento como um dos trunfos das newsletters. “O e-mail A� um dos poucos meios de comunicar na Internet que nA?o tA?m plateia e que nA?o estimulam a resposta imediata, sem reflexA?o”, afirma.
Outra marca do renascimento das newsletters A� a curadoria. Para o professor de jornalismo da ESPM, Paulo Ranieri, 35, A� exatamente por isso que nA?o se pode falar em “morte” das newsletters, e sim em “desuso”. “Pode ser que apareA�a uma nova plataforma e ela precise se readaptar, mas a ideia essencial de curadoria e filtro de informaA�A?o serA? cada vez mais necessA?ria”, explica.
Ranieri acredita que esse remodelamento jA? aconteceu com as newsletters comerciais, o chamado e-mail marketing, que hoje nA?o A� difundido apenas por e-mail, mas em outros canais de comunicaA�A?o, inclusive nas redes sociais.
Se antes esse tipo de material nA?o passava de um material de vendas, hoje A� um conteA?do filtrado para que as pessoas tenham acesso facilitado A�s informaA�A�es sobre os produtos. “Vai alA�m de simplesmente vender, A� informar sobre algo e gerar interesse nas pessoas a partir dessa informaA�A?o. A� substituir o termo ‘compre’, pelo ‘leia'”, diz o professor.
Newsletters como a da start-up theSkimm provam que investir nessa forma de comunicaA�A?o nA?o A� nada antiquado -e pode ser bem rentA?vel. As americanas Danielle Weisberg, 30, e Carly Zakin, 30, largaram seus empregos como produtoras da rede de TV americana NBC News em 2012 para investir no negA?cio de notA�cias explicadas em tom informal voltado principalmente para mulheres jovens.
Inicialmente escrita na sala do apartamento que as fundadoras dividiam, a newsletter conta hoje com mais de 3,5 milhA�es de assinantes. A empresa conta com anunciantes como Netflix, Starbucks, e HBO, lanA�ou em abril um aplicativo pago e recebeu em junho um investimento de US$ 8 milhA�es para o lanA�amento de um estA?dio de vA�deo. A iniciativa as colocou na lista das 40 pessoas mais influentes com menos de 40 anos da revista “Fortune”.
Apesar do sucesso de newsletters como theSkimm, muitos produtores de conteA?do ainda nA?o veem nas listas de e-mail uma fonte de renda. “NA?o me agrada a ideia de cobrar por isso, a newsletter do Farol comeA�ou de graA�a e tem um carA?ter de difusA?o do conhecimento”, argumenta OsA?rio.
JA? Anna coloca em seus e-mails um convite para que o leitor “liberte seu potencial”, contribuindo voluntariamente por meio da plataforma de financiamento coletivo recorrente Unlock. Ghedin possui duas modalidades de newsletter, uma paga e outra gratuita. A newsletter paga A� um dos benefA�cios da assinatura do Manual do UsuA?rio, que custa R$ 8 por mA?s. AlA�m dela, o assinante tambA�m ganha adesivos do site e pode participar dos desafios mensais, que valem prA?mios diversos.
Apesar da rentabilidade, Ghedin nA?o vA? essa troca como uma transaA�A?o comercial tradicional. “A maioria dos assinantes nA?o contribui mensalmente por causa da newsletter ou dos outros benefA�cios, mas sim para manter o site funcionando”, conta.
Essa visA?o A� possA�vel porque hA? programas gratuitos de administraA�A?o dos envios. Anna e Ghedin usam um dos maiores do mercado, chamado MailChimp, que conta com mais de 12 mil clientes. No plano gratuito, A� possA�vel enviar atA� 12 mil emails mensais para atA� 2.000 assinantes. O programa tambA�m oferece outras opA�A�es pagas, com vantagens como a possibilidade de maior personalizaA�A?o dos emails e ferramentas de monitoramento.
Fonte: BocA?o News