A volta A�s aulas na Escola Municipal EsperanA�a de Viver, no bairro de Castelo Branco, nA?o serA? como qualquer retorno de feriado ou recesso. Os alunos, professores e funcionA?rios da escola infantil, palco do assassinato da professora Sandra Denise Costa Alfonso, 40 anos, na A�sexta-feira, terA?o acompanhamento de psicA?logos, assistentes sociais e pedagogos, que ficarA?o na escola por um perA�odo ainda a ser determinado e trabalharA?o temas como luto, perda e violA?ncia de gA?nero.
a�?NA?o A� um assassinato qualquer. A� a morte de uma mulher, da forma que aconteceu, com crianA�as dentro da escola, que ouviram os estampidos, saA�ram assustadasa�?, diz a coordenadora pedagA?gica do MunicA�pio, Joelice Braga, sobre o assassinato cometido pelo major do Corpo de Bombeiros ValdiA?genes Almeida Junior, preso no BatalhA?o de Choque da PM, em Lauro de Freitas. Ele se entregou no dia do crime e chorou durante depoimento A� polA�cia (ver abaixo).
Segundo Joelice, a primeira tarefa A� fazer um diagnA?stico do trauma causado na comunidade escolar. O tempo de permanA?ncia na unidade e as aA�A�es especA�ficas que serA?o desenvolvidas ainda serA?o determinados em reuniA�es com a diretora da escola, Valdiceia Oliveira. A� ela quem vai determinar a data do retorno A�s aulas. a�?Ela estA? muito abalada. A gente acredita que esta semana ainda possa ter aula, mas quem tem que nos dizer qual A� o dia A� a direA�A?oa�?, comentou.
Casos
Segundo a coordenadora, nA?o A� a primeira vez que a Secretaria da EducaA�A?o (Smed) faz uma intervenA�A?o do tipo. JA? houve conversas com psicA?logos em casos de morte de estudantes e de funcionA?rios. Mas em nenhuma das situaA�A�es A�a morte havia sido dentro da unidade.
Coordenadora do Grupo de AtuaA�A?o Especial em Defesa da Mulher (Gedem), do MinistA�rio PA?blico (MP-BA), a promotora MA?rcia Teixeira elogiou a iniciativa. Ela estA? acompanhando o caso e jA? foi procurada pela famA�lia da professora, que mora no ParA?, para colher depoimentos sobre a relaA�A?o do casal. a�?Essa iniciativa A� a prova de que o nosso enfrentamento, nossa dedicaA�A?o a esse tema A� muito importante, pois tira ele da invisibilidadea�?, disse. Para ela, A� importante agora o acolhimento A�s pessoas prA?ximas da professora. a�?Essas crianA�as com necessidades especiais que a vA�tima cuidava foram violentadas mais uma vez, na medida em que a professora que cuidava delas foi morta brutalmentea�?.
Luto
A violA?ncia enfrentada por mulheres em Salvador e no paA�s nA?o A� novidade na grade curricular das escolas. O tema do luto, porA�m, nA?o A� tratado cotidianamente. Para definir quais aA�A�es serA?o empreendidas na EsperanA�a de Viver, a Smed conta com apoio do Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e InclusA?o de Mulheres Afrodescendentes (Fiema) e da SuperintendA?ncia de PolA�ticas para as Mulheres (SPM). A abordagem ao assunto terA? que ser moldada de acordo com as turmas da escola, que funciona com o Ensino Fundamental I e tem 187 alunos, de 4 a 8 anos.
Terror
No dia do crime, pais e outros familiares de estudantes comentavam o abalo provocado pelo crime nas crianA�as. O pai de uma aluna de 4 anos disse que precisou levar a filha ao hospital. Uma ex-aluna, que costuma buscar o sobrinho, aluno de Sandra, disse que o garoto, de 6 anos, estava inconsolA?vel. a�?Eu fui dar a notA�cia para ele e ele sA? fazia chorara�?.
Para a coordenadora pedagA?gica Joelice Braga, lidar com esse trauma serA? um grande desafio. a�?A gente nA?o acredita que depois de uma cena dessa dA? pra gente dizer que as crianA�as vA?o chegar e vai ter aula normal. A gente teve um corpo durante um bom tempo dentro da escola, foi a cena de um crime bA?rbaroa�?, lembrou.
Fonte: Correio 24 horas