O avanço da violência armada em Salvador e na Região Metropolitana (RMS) tem imposto um cenário cada vez mais preocupante para as forças de segurança. Dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo Instituto Fogo Cruzado revelam que, em menos de quatro meses de 2026, o número de agentes baleados já alcançou o mesmo patamar registrado ao longo de todo o ano de 2025.
Entre 1º de janeiro e 16 de abril deste ano, foram contabilizados 25 agentes de segurança atingidos por disparos de arma de fogo. Desse total, sete não resistiram aos ferimentos e 18 ficaram feridos. No mesmo período do ano passado, haviam sido registrados 12 casos — com três mortes e nove feridos — evidenciando uma escalada significativa da violência.
O dado chama ainda mais atenção ao se observar o recorte anual: em todo o ano de 2025, também foram registrados 25 agentes baleados, sendo cinco mortos e 20 feridos. Ou seja, o índice foi atingido em menos de um terço do tempo em 2026.
Sequência de ataques em 24 horas acende alerta
A gravidade da situação ficou evidente em um intervalo de apenas 24 horas, entre os dias 15 e 16 de abril, quando quatro agentes foram baleados em diferentes ocorrências na capital e na RMS.
Na manhã de quarta-feira (15), durante uma operação no bairro de Tancredo Neves, o investigador da Polícia Civil da Bahia, Adailton Oliveira Rocha, foi atingido na cabeça e morreu. Já à noite, no Engenho Velho de Brotas, dois policiais militares foram baleados durante uma ação em Manguinhos; um deles, o soldado Samuel Novais da Silva, também não resistiu.
No dia seguinte, em Bom Despacho, no município de Itaparica, o policial militar Filipe Carmo de Labre foi ferido de raspão na perna durante outra operação.
Polícia Militar concentra maioria dos casos
O levantamento aponta que a maior parte das vítimas pertence à Polícia Militar da Bahia. Dos 25 agentes baleados em 2026, 22 são policiais militares — o equivalente a 88% dos registros. Entre eles, quatro morreram e 18 ficaram feridos.
A maioria das ocorrências aconteceu durante o serviço: 19 agentes foram atingidos enquanto participavam de operações ou realizavam patrulhamento. Outros quatro casos envolveram agentes fora de serviço, e dois registros dizem respeito a profissionais aposentados ou exonerados.
Pior início de ano desde o início do monitoramento
Segundo o Instituto Fogo Cruzado, que acompanha a violência armada na região desde julho de 2022, este é o pior início de ano já registrado.
No comparativo entre 1º de janeiro e 16 de abril:
- 2026: 25 agentes baleados (7 mortos e 18 feridos)
- 2025: 12 agentes baleados (3 mortos e 9 feridos)
- 2024: 11 agentes baleados (6 mortos e 5 feridos)
- 2023: 11 agentes baleados (6 mortos e 5 feridos)
Capital concentra maioria das ocorrências
Salvador lidera o número de casos, com 19 registros — seis mortes e 13 feridos. As ocorrências estão distribuídas por diversos bairros, incluindo regiões centrais e periféricas, o que evidencia a abrangência territorial da violência.
Na Região Metropolitana, também foram registrados casos em municípios como Candeias, Lauro de Freitas, Vera Cruz e Itaparica.
O cenário reforça o alerta para o crescimento da violência armada na Bahia e expõe o risco crescente enfrentado diariamente pelos profissionais da segurança pública, especialmente em operações nas áreas mais sensíveis da capital e entorno.