Após multas de R$ 110 milhões, o Ibama identificou 21 madeireiras com indícios de funcionamento irregular, incluindo empresas fantasmas e de fachada, durante a chamada Operação Maravalha.

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De acordo com documentos e dados oficiais, 55 das 66 empresas autuadas (83%) não possuem nenhum trabalhador registrado, o que levantou suspeitas não apenas de crimes ambientais, como desmatamento ilegal, mas também de irregularidades trabalhistas.

As investigações apontam que essas empresas atuavam na comercialização de madeira de origem ilegal, utilizando esquemas para “esquentar” notas fiscais e créditos florestais — documentos que deveriam comprovar a legalidade da exploração. Em alguns casos, os CNPJs eram usados apenas para dar aparência legal ao produto, sem que houvesse estrutura física ou capacidade operacional compatível.

A operação ocorreu principalmente no estado do Pará, em municípios como Senador José Porfírio, Trairão, Moju, Pacajá, São Miguel do Guamá e Anapu. Ao todo, foram apreendidos cerca de 15 mil metros cúbicos de madeira irregular nas primeiras fases da ação.

Uma nova etapa também foi realizada no Amazonas, onde mais R$ 2,6 milhões em multas foram aplicados na região da BR-319.

O ICMBio participou da operação, que também identificou indícios de uso de mão de obra informal e condições precárias de trabalho. Em um dos casos, um fiscal relatou tentativa de suborno no valor de R$ 100 mil por parte de um fazendeiro, que acabou preso em flagrante.

As ações reacenderam o debate no Congresso Nacional. Setores do agronegócio criticam o uso do chamado embargo remoto, tecnologia que permite identificar desmatamento ilegal por meio de imagens de satélite e cruzamento de dados. Parlamentares articulam um projeto de lei para limitar esse tipo de fiscalização.

Por outro lado, o órgão ambiental defende que a estratégia ampliou a capacidade de atuação e permitiu identificar irregularidades em larga escala, inclusive conexões entre crimes ambientais e violações de direitos trabalhistas.

Segundo o Imazon, cerca de 47% da madeira explorada no Pará apresenta indícios de irregularidade, reforçando o cenário de desafios no controle da atividade madeireira na região.

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