Nova “Taxa da Maldade” gera protestos e investigação do MP no interior da Bahia
Moradores de Brumado, no sudoeste da Bahia, protestaram na Câmara de Vereadores contra as mudanças na taxa de iluminação pública do município, apelidada pela população de “Taxa da Maldade”. A medida, que já está sendo investigada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), tem provocado críticas principalmente de moradores da zona rural e representantes do setor industrial.
Durante a sessão realizada nesta segunda-feira (26), manifestantes exibiram cartazes contra o aumento da cobrança e cobraram explicações da gestão do prefeito Fabrício Abrantes. Segundo moradores, comunidades rurais passaram a pagar a nova taxa sem receber melhorias na iluminação pública.
“A cobrança chegou, mas as lâmpadas ainda não”, reclamou um dos participantes do protesto.
A polêmica começou após a sanção da Lei Complementar Municipal nº 17/2025, que alterou a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP). A legislação ampliou as cobranças para diferentes categorias de consumidores, incluindo imóveis rurais, estabelecimentos comerciais e indústrias.
Pelas novas regras, imóveis sem iluminação pública também passaram a ser cobrados. As taxas variam conforme o perfil do consumidor e podem chegar a 320% para determinados setores de revenda.
Após denúncias de moradores sobre contas de energia com valores até dez vezes maiores, o MP-BA instaurou procedimento administrativo para investigar a legalidade da medida.
Segundo o promotor de Justiça Gustavo Pereira, ainda não estão claros os critérios técnicos utilizados para definir os novos valores da contribuição. O órgão também apura se houve estudo técnico que justificasse a mudança e se a lei respeita princípios constitucionais, como proporcionalidade e razoabilidade.
Caso sejam identificadas irregularidades, o Ministério Público poderá acionar a Justiça para questionar a constitucionalidade da cobrança. No entanto, o promotor afirmou que a prioridade é buscar uma solução negociada com a prefeitura para evitar judicialização.
Até o momento, a Prefeitura de Brumado e a Câmara Municipal não se pronunciaram oficialmente sobre as críticas da população.

