MP-BA denuncia seis policiais por mortes de guia de turismo e outro homem em Caraíva
O Ministério Público da Bahia (MPBA), por meio do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp), apresentou à Justiça, na quinta-feira (16), denúncia contra quatro policiais militares e dois policiais civis pela morte de dois homens durante a “Operação Travessia”, realizada em 10 de maio de 2025 no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.
Além da denúncia, o órgão pediu o afastamento cautelar dos seis agentes de suas funções públicas enquanto tramita a ação penal.
Os policiais foram acusados por dois homicídios qualificados — cometidos por motivo torpe, com meio que resultou em perigo comum, recurso que impediu a defesa das vítimas e uso de arma de fogo de uso restrito.
Segundo a denúncia, o grupo envolvido na operação reunia integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da Polícia Militar, e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil. As investigações apontam que os agentes chegaram ao local fortemente armados, com vestimentas táticas e atuação coordenada.
De acordo com o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), uma das vítimas, Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como “Alongado”, foi atingida por diversos disparos em local público, sem chance de reação ou defesa.
A segunda vítima, Victor Cerqueira Santos Santana, o “Vitinho”, de 28 anos, foi abordado durante a ação, revistado e, na sequência, alvejado por disparos de arma de fogo. Laudo pericial identificou ainda lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos tiros. Vitinho não respondia a nenhum processo criminal.
Um terceiro homem foi preso durante a operação, mas seu nome não foi divulgado.
Os dois policiais civis denunciados também responderão por fraude processual, prevista no artigo 347 do Código Penal — a investigação apurou que eles teriam agido para alterar artificialmente o cenário após os fatos. Já eventuais condutas de fraude processual atribuídas aos policiais militares serão apuradas separadamente pela Vara de Auditoria Militar, competente para julgar esse tipo de caso.
Para o Ministério Público, as provas reunidas indicam que as mortes ocorreram fora de uma situação real de confronto, com as vítimas em condição de vulnerabilidade diante da ação dos agentes.
Matéria original: bahia.ba — Data de publicação original: 17 de julho de 2026, 08h17.

