Uma bactéria que causa diarreia e vômitos está se tornando mais difícil de tratar nos casos transmitidos por contato sexual. A Shigella, responsável por cerca de 450 mil infecções por ano nos Estados Unidos, já apresenta cepas resistentes a vários antibióticos e passou a ser identificada com mais frequência como uma infecção sexualmente transmissível (IST).
O micro-organismo pode causar shigelose, que em alguns casos evolui para disenteria, com diarreia acompanhada de sangue. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão da bactéria, inclusive por água ou alimentos contaminados, mas o contato sexual se tornou uma via importante.
O problema tem sido observado principalmente entre homens que fazem sexo com homens. Uma análise dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) avaliou quase 17 mil amostras entre 2011 e 2023: em 2011, nenhuma era de resistência extensiva; em 2023, essas cepas já eram 8,5% do total.
Pesquisadores do Reino Unido encontraram situação semelhante. Um estudo liderado pela geneticista Kate Baker, da Universidade de Cambridge, publicado em julho na Lancet Infectious Diseases, identificou aumento de cepas resistentes transmitidas sexualmente.
“Não é apenas uma forma de diarreia sexualmente transmissível. É o surgimento de múltiplas variantes que estão rapidamente se tornando resistentes aos medicamentos que usamos”, destacou Kate. Segundo ela, a origem da infecção pode influenciar o tratamento necessário.