O endividamento das famílias brasileiras chegou a 82% em agosto de 2026, o maior percentual da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice se mantém no patamar recorde pelo sétimo mês seguido.
O número ficou estável em relação a julho, mas subiu na comparação com agosto do ano passado, quando 78,8% dos lares tinham dívidas.
Renda menor, dívida maior
Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 85,1% estavam endividadas em agosto, e 38,8% tinham contas em atraso, alta de 0,3 ponto percentual em relação a julho.
O índice foi de 83,7% entre quem ganha de três a cinco salários mínimos, 77,2% na faixa de cinco a dez e 72,3% entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos.
Em agosto, 19,2% das famílias disseram comprometer mais da metade da renda com dívidas, o maior percentual desde março. O comprometimento médio ficou em 29,5%, e o tempo médio de atraso subiu para 65 dias, depois de três meses de queda. Além disso, 33,4% das famílias têm dívidas contraídas há mais de um ano.
Cartão de crédito na frente
O cartão de crédito segue como principal modalidade: no levantamento de julho, último com esse detalhamento, 85,3% das famílias endividadas tinham débitos no cartão. Em seguida aparecem carnês (16,1%), crédito pessoal (13%), financiamento de imóvel (9,6%), financiamento de carro (9%), consignado (7,1%) e cheque especial (3,4%). Como uma família pode ter mais de um tipo de dívida, os percentuais não somam 100%.