Moacyr, que era professor hA? muitos anos do Instituto Federal da Bahia (Ifba), no Barbalho, foi morto em aA�A?o da PolA�cia Militar na Avenida Paralela. O carro, um Ford Ka com vA?rias marcas de tiros, estA? no pA?tio do Departamento de PolA�cia TA�cnica (DPT). Ele foi atingido por dois tiros, um na regiA?o genital e outro na veia femural.
O engenheiro saiu de casa e foi em um supermercado na Avenida ACM, onde por volta das 8h comprou leite e granola. De lA?, seguiria para um condomA�nio na Avenida Paralela, onde nunca chegou. Como o engenheiro morava sozinho, a ex-mulher, que A� sA?cia dele em uma empresa da A?rea de construA�A?o, sA? soube que ele nA?o estava retornando para casa na quarta-feira (22). “A vizinha ligou e disse que estava estranhando que o carro do Moacyr nA?o estava aparecendo hA? dias. Ela (a ex) procurou o filho, amigos, ligou para parentes do Rio. NinguA�m sabia”, diz o advogado Bruno Rodrigues.
A ex-mulher, preocupada, comeA�ou a ir em delegacias e hospitais da cidade em busca de notA�cias. No sA?bado (25) encontrou o corpo do engenheiro no Instituto MA�dico Legal (IML), com a informaA�A?o de que ele havia sido morto por policiais militares. “No IML disseram que os policiais deixaram o corpo lA? afirmando que ele furou um bloqueio no ImbuA�, passou atirando, imagina, um cara de 61 anos, professor”, conta o advogado.
Corregedoria
Segundo relato do advogado, o IML se recusou a fornecer a guia para a famA�lia, que seguiu para a Corregedoria da PM. Um outro advogado que os acompanhava conseguiu ter acesso aos autos. “JA? tinha um inquA�rito lA?. Porque nA?o foi para a PolA�cia Civil, como deveria proceder? E o plantonista ainda se recusou a fornecer cA?pia, o que a lei obriga. JA? acionamos a OAB”, afirma. Ele diz que a PolA�cia Militar tinha todos os dados do engenheiro e mesmo assim nA?o procurou a famA�lia para informar da morte. “Foi totalmente encoberta a situaA�A?o”, afirma. A ex-mulher do engenheiro procurou a PolA�cia Civil para registrar um Boletim de OcorrA?ncia da situaA�A?o.
O advogado questiona a versA?o apresentada pelos policiais envolvidos no inquA�rito. “Os policiais dizem que ele furou uma blitz em Lauro de Freitas e furou cinco bloqueios, por isso foi alvejado. Afirmam que um projA�til desses atingiu o pneu e ricocheteou, atingindo a femoral. Mas o carro tem mais de 17 projA�teis, estA? com pneus todos estourados”, relata. “E os A?ngulos de entrada mostram que quem atirou estava do mesmo lado do carro. Emparelhado pela polA�cia e metralhado”, acredita. “O carro sem pelA�cula, A� luz do dia, nA?o tem desculpa para o que aconteceu”.
Rodrigues narra que estavam no carro do engenheiro uma garrafa de leite, granola e a carteira, com uma nota do supermercado HiperbompreA�o, da Avenida ACM, com o pagamento pouco antes das 8h. “Como A� que 8h30 ele estava em Lauro de Freitas, no Aeroporto, fazendo direA�A?o perigosa e furando blitz?”, questiona. TambA�m no veA�culo, foi encontrada uma quantidade de maconha – os advogados jA? pediram que sejam feito exames toxicolA?gicos. “Nem que fosse dele, nA?o seria motivo”, diz.
A famA�lia acredita que o engenheiro se dirigia para o Alphaville 1, onde estava construindo uma casa. “Ele nem chegou lA?”. O caso jA? estA? sendo acompanhado pelo MinistA�rio PA?blico da Bahia (MP-BA), que jA? ouviu familiares. “NA?s (advogados da famA�lia) somos assistentes aqui. Vamos pressionar de todas maneiras para que o MP cumpra seu dever e vamos entrar com as aA�A�es cA�veis de indenizaA�A?o contra o estado”, afirma Rodrigues.
Enquanto isso, a famA�lia aguarda uma resoluA�A?o. “A gente nA?o tem acesso aos documentos, nA?o pode ver, nA?o pode apurar aquilo. EntA?o A� preciso que algum poder que tenha competA?ncia apure esse caso”, disse A� TV Bahia o filho do engenheiro, Felipe DA?ria. “A situaA�A?o A� de impotA?ncia. Porque a gente nA?o sabe o que fazer”. O corpo do engenheiro segue no IML e nA?o hA? previsA?o de enterro.
Em nota, a Secretaria da SeguranA�a PA?blica (SSP) informa que os policias envolvidos jA? foram afastados e que o caso A� investigado pela Corregedoria da PM e pela PolA�cia Civil. As armas usadas na aA�A?o foram apreendidas e passarA?o por anA?lise no DPT.
A SSP diz que os policiais relataram que a vitima trafegava em alta velocidade no municA�pio de Lauro de Freitas e se negou a obedecer aos comandos de uma blitz, dando inA�cio a uma perseguiA�A?o que acabou nas proximidades do Trobogy, na Avenida Paralela.
Fonte: Correio 24 horas