Lixo espacial já soma centenas de milhões de fragmentos e ameaça satélites

Cerca de 47 mil objetos são acompanhados por redes de vigilância na órbita da Terra, mas o total de lixo espacial passa de centenas de milhões de fragmentos — uma ameaça a equipamentos de navegação, comunicação e a missões tripuladas.

Segundo estimativas da Agência Espacial Europeia e do programa de detritos orbitais da Nasa, há cerca de 68 mil objetos maiores que 10 centímetros, aproximadamente 1,5 milhão entre 1 e 10 centímetros e mais de 200 milhões de fragmentos entre um milímetro e um centímetro.

É considerado lixo espacial qualquer estrutura sem função que continua no espaço: satélites desativados, estágios de foguetes, peças liberadas em missões e destroços de colisões e explosões. A maior parte é tão pequena que não pode ser rastreada continuamente.

Em órbita baixa, entre 160 km e 2 mil km de altitude, esses objetos viajam a sete ou oito quilômetros por segundo. “Um objeto de poucos milímetros pode danificar painéis solares, sensores, sistemas térmicos ou a estrutura externa de uma espaçonave”, explica o engenheiro aeroespacial Rafael Paiva Lôbo, da Ideia Space.

O maior temor é a chamada Síndrome de Kessler: um cenário em que a quantidade de objetos chega a um ponto crítico e as colisões geram novos fragmentos, que provocam novos choques, numa reação em cadeia.

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