Um relatório divulgado pela Unicef nesta semana alerta que as crianças serão impactadas de forma desproporcional pelo El Niño. Segundo o documento, o grupo está exposto ao aumento da desnutrição aguda grave, a surtos de cólera, dengue e malária e à interrupção de serviços essenciais de saúde.
De acordo com a Unicef, por estarem em desenvolvimento, as crianças são particularmente sensíveis ao calor extremo, à desidratação, à fumaça, à má nutrição e a doenças favorecidas por mudanças de temperatura e de chuva.
As meninas serão as mais afetadas. Elas enfrentam sobrecarga de trabalho doméstico, são mais vulneráveis ao abandono escolar e correm maior risco de violência e casamento infantil. Na seca de 2020 a 2023 no Chifre da África, o casamento infantil subiu 119%.
“A prioridade do Unicef é agir antes que os impactos se agravem. Esperar a escola fechar ou uma comunidade perder acesso à água para começar a agir é chegar tarde”, afirmou Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil.
A longo prazo, o documento aponta a necessidade de fortalecer os sistemas nacionais e de construir infraestrutura de água, saúde e educação resiliente ao clima. A Unicef estima que cada dólar investido em prevenção economiza até US$ 15 em recuperação.