318 homossexuais foram mortos no Brasil em 2015

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Foto: Arestides Baptista | Ag A TARDE. | 13.07.2011
Foto: Arestides Baptista | Ag A TARDE. | 13.07.2011

O relatA?rio anual sobre o assassinato de homossexuais, divulgado nesta quinta-feira, 28, pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) – mais antiga entidade do gA?nero do Brasil – indica que 318 gays foram mortos em 2015 em todo o PaA�s. Desse total de vA�timas, o GGB diz que 52% sA?o gays, 37% travestis, 16% lA�sbicas, 10% bissexuais. O nA?mero A� levemente menor que em 2014 quando, conforme o grupo, foram anotados 326 assassinatos.

Os estados onde ocorreram mais casos em nA?meros absolutos foram SA?o Paulo, com 55 assassinatos; e Bahia, 33. No entanto, se for comparada com a populaA�A?o total, Mato Grosso do Sul foi considerado o estado mais homofA?bico, pela entidade, com 6,49 homicA�dios para cada 1 milhA?o de pessoas, seguido do Amazonas, com 6,45.

Para a populaA�A?o total do Brasil, o A�ndice de assassinatos de LGBT A� de 1,57 para cada milhA?o de habitantes. O levantamento foi feito em 187 cidades brasileiras, incluindo pequenos centros urbanos, como IbiA?, na Bahia, com 7 mil habitantes.

Manaus foi considerada a capital mais “homofA?bica” de 2015 com 23 assassinatos – 11,3 mortes para cada milhA?o de habitantes, seguida de Porto Velho, cujas 5 mortes representam 10,1 por um milhA?o. Uma travesti e um gay brasileiros foram assassinadas no exterior: Espanha e Estados Unidos. Foram incluA�dos tambA�m cinco suicA�dios de homossexuais masculinos.

Nordeste na lideranA�a

Em termos regionais, dos 318 assassinatos documentados em 2015, o Nordeste continua liderando a violA?ncia em nA?meros absolutos com 106 A?bitos, seguido do Sudeste com 99, o Norte com 50, Centro-Oeste 40 e 21 no Sul. PorA�m, comparando o total da populaA�A?o regional, o Norte foi a regiA?o que o GGB considera mais “homotransfA?bica”, com 2,9 assassinatos para cada 1 milhA?o de habitantes, seguido do Centro-Oeste com 2,6, Nordeste com 1,8, Sudeste com 1,1 e Sul com 0,7 – sendo a mA�dia do Brasil 1,5 e o Distrito Federal, 2,1.

O estudo mostra ainda que a Bahia registrou um aumento de 25 para 33 assassinatos entre 2014-2015, enquanto o Rio de Janeiro diminui de 22 para 12 mortes.

O antropA?logo Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador da pesquisa disse que “nada garante que o decrA�scimo de oito mortes entre 2014-2015 represente uma tendA?ncia previsA�vel para os prA?ximos anos, a menos que polA�ticas pA?blicas e leis condenatA?rias sejam aprovadas e efetivadas em nosso paA�s”. Na sua opiniA?o “lastimavelmente, a violA?ncia anti-homossexual cresce incontrolavelmente no Brasil. Nos 8 anos do governo FHC, foram documentados 1.023 crimes homofA?bicos, uma mA�dia de 127 por ano; no Governo Lula, subiram para 1.306, com mA�dia de 163 assassinatos por ano; nos 5 anos, no Governo Dilma, tais crimes atingiriram a cifra de 1.561, com mA�dia de 312 assassinados anuais – mais que o dobro da mA�dia dos governos anteriores. DaA� a urgA?ncia da Presidenta cumprir sua promessa de campanha de criminalizar a homofobia – segundo ela, uma barbA?rie!”

Perfil das vA�timas

Em relaA�A?o ao perfil das vA�timas, a pesquisa mostra que a violA?ncia “atinge todas as cores, idades, classes sociais e profissA�es: a vA�tima de menor idade foi Michael, 13 anos, parda, de Rio Claro, SP, uma prA�-adolescente em construA�A?o de sua performance feminina, que gostava de se vestir de menina, encontrada morta na pista com 15 facadas.

O mais idoso, um renomado mA�dium do Rio de Janeiro, 74 anos, encontrado morto amordaA�ado, com marcas de tortura e espancamento, identificado como homossexual pela ex-esposa”, diz um trecho do relatA?rio, acrescentando que “predominam as mortes de LGBT menores de 29 anos (58%), pessoas portanto, na flor da idade produtiva. Menores de 18 anos representam 21%, sugerindo a precocidade da iniciaA�A?o homoerA?tica e grande vulnerabilidade, sobretudo das jovens travestis e transexuais profissionais do sexo”.

A causa mortis das vA�timas mostra traA�os de A?dio intenso. Entre os casos coletados estA? o do bacharel Helmiton Figueiredo, 30 anos, de Cabo de Santo Agostinho, PE, morto com 60 facadas; Bruno C. Xavier, esquartejado e cimentado em seu apartamento em Diadema, SP e Pablo Garcez, pedreiro de 35 anos, de Manaus, teve seu tronco e braA�os decepados.

O analista de sistemas Eduardo Michels, do Rio de Janeiro, coordenador do banco de dados da pesquisa, “a subnotificaA�A?o destes crimes A� notA?ria, indicando que tais nA?meros representam apenas a ponta de um iceberg de violA?ncia e sangue, jA? que nosso banco de dados A� construA�do a partir de notA�cias de jornal e internet. Infelizmente sA?o rarA�ssimas as informaA�A�es enviadas pelas mais de trezentas Ongs LGBT brasileiras. E a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e o Disk 100 atestam sua incompetA?ncia ao nA?o documentar a violA?ncia letal contra mais de 10% da populaA�A?o brasileira constituA�da por LGBT. A realidade deve certamente ultrapassar em muito tais estimativas, sobretudo nos A?ltimos anos, quando os familiares das vA�timas, policiais e delegados cada vez mais, sem provas e sem base teA?rica, descartam preconceituosamente a presenA�a de homofobia em muitos desses homocA�dios”.

O GGB alerta que 2016 comeA�ou “ainda mais homofA?bico. A entidade registrou 30 assassinatos de LGBT em 28 dias, um assassinato a cada 22 horas.

Fonte: A Tarde

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