Seis das dez cidades com as maiores taxas estimadas de homicídio do Brasil ficam na Bahia. O dado consta do Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e se refere ao ano de 2024.
Jequié aparece como a segunda cidade mais violenta do ranking nacional, com taxa de 79,4 homicídios por 100 mil habitantes — índice três vezes maior que a média nacional. Na sequência entre os municípios baianos listados vêm Juazeiro, com 71,1, Feira de Santana, com 67,0, Porto Seguro, com 64,6, Simões Filho, com 64,0, e Camaçari, com 62,9.
Por que a taxa e não o total
O indicador usado pelo estudo é a taxa por 100 mil habitantes, e não o número bruto de mortes. A escolha permite comparar cidades de portes diferentes: sem essa correção, municípios populosos apareceriam sempre no topo apenas por concentrarem mais gente.
É o que explica a presença de cidades de perfis distintos na mesma lista. Feira de Santana e Camaçari são polos populosos da Região Metropolitana e do Recôncavo; Jequié e Juazeiro são centros regionais do interior; Porto Seguro tem economia turística. O que as aproxima no levantamento é a proporção de mortes violentas em relação à população residente.
O estado em números absolutos
A Bahia registrou 6.061 mortes violentas em 2024 e lidera o país em números absolutos de homicídios, além de aparecer com a segunda maior taxa de mortes violentas entre os estados brasileiros.
O contraste com o cenário nacional é o ponto que mais chama atenção. O Brasil contabilizou 42.590 homicídios em 2024, uma redução de 6,9% em relação ao período anterior, e alcançou o menor índice desde o início da série histórica, iniciada em 2014. Ou seja: enquanto o país registrava seu melhor resultado em uma década, a Bahia mantinha a liderança no volume de mortes.
Uma medição com defasagem
Atlas da Violência trabalha com dados consolidados, o que impõe um intervalo entre o ano de referência e a publicação. A edição de 2026 analisa o que ocorreu em 2024 — a defasagem existe porque a base depende do fechamento dos registros de óbito e do cruzamento de informações de diferentes sistemas.
Essa característica torna o estudo menos útil para acompanhar oscilações de curto prazo, mas mais confiável para leitura estrutural. O Atlas serve para identificar onde a violência letal se enraizou ao longo dos anos, e não para medir o efeito de uma operação policial específica ou de uma mudança recente de política de segurança.
O que o retrato indica
A concentração de seis municípios baianos entre os dez mais violentos do país aponta para um fenômeno que não se restringe à capital nem à região metropolitana. Cidades médias do interior aparecem com taxas superiores às de várias capitais brasileiras, o que desloca o debate sobre segurança pública para fora do eixo tradicional das grandes aglomerações urbanas.
Enquanto a curva nacional de homicídios recua, o Atlas mostra que a redução não se distribuiu de forma homogênea pelo território — e a Bahia figura entre os estados onde o avanço foi mais lento.

