Replantar as mesmas árvores após incêndios já não funciona, mostram estudos

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Os incêndios florestais, cada vez mais intensos e frequentes por causa das mudanças climáticas, estão forçando uma revisão das estratégias de reflorestamento. Estudos recentes, incluindo publicações na revista Science, apontam que replantar as mesmas espécies que queimaram deixou de dar resultado.

O problema é o microclima. Com a abertura da copa das árvores provocada pelo fogo, a temperatura do solo pode subir mais de 6 °C em relação ao que muitas espécies de sombra suportam, expondo as mudas a condições extremas e letais.

No Brasil, o impacto varia conforme o bioma. O Cerrado tem adaptações naturais e consegue rebrotar após o fogo, enquanto a Amazônia e a Mata Atlântica sofrem alta mortalidade de árvores quando expostas a queimadas recorrentes.

Para o professor Marcos Buckeridge, da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências, os projetos de restauração precisam olhar de 30 a 50 anos à frente. “Precisamos considerar não apenas o clima atual, mas também o que provavelmente existirá quando essas árvores atingirem a maturidade”, afirma.

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