Durante participação no 1º Fórum Estadual de Fundações da Bahia, promovido pelo Ministério Público da Bahia com apoio da Fundação Maria Emília e da Fundação Irmã Dulce, o cantor e compositor Carlinhos Brown defendeu a cultura como parte da cadeia produtiva e cobrou políticas públicas estruturadas para o setor.
“É bonito aquele acontecimento ali no Carnaval, no verão, mas hoje nós estamos trabalhando 365 dias para sete dias”, afirmou o músico, ao destacar que grupos culturais trabalham o ano inteiro para sustentar manifestações sazonais como o Carnaval.
Brown também abordou a relação entre produção cultural e educação, criticando o que chamou de tendência à “música fácil”, que classificou como descolada do desejo de educação que o terceiro setor busca promover.
Sobre o voluntariado, disse que ele é importante, mas não pode ser assistencialista — segundo o músico, o que o terceiro setor precisa é de assistência estruturada, não de assistencialismo pontual. Ele citou sua trajetória de trabalho voluntário na comunidade do Candeal, em Salvador, onde projetos como a Pracatum atuam há anos.
Brown defendeu que o poder público passe a enxergar a cultura para além do folclore, reconhecendo-a como um ponto relevante da economia — segundo ele, sem essa percepção, a profissionalização do setor cultural fica comprometida. Ele também defendeu que o poder público confie mais nas lideranças comunitárias na gestão de projetos culturais.