Caruru do Ginno chega à quinta edição em Salvador no dia 3 de setembro

Um dos pratos mais simbólicos da Bahia volta a servir de pretexto para um encontro em Salvador. A quinta edição do Caruru do Ginno está marcada para 3 de setembro de 2026, a partir das 13h, no espaço Bilbao – Maison For Men, na Rua Professor Sabino Silva, 942, entre o Chame-Chame e o Jardim Apipema.

Setembro não é uma escolha qualquer

A data segue uma tradição. O caruru é preparado tradicionalmente em setembro, mês marcado pelas celebrações ligadas ao sincretismo religioso baiano e à culinária que dele deriva. O prato, feito de quiabo, camarão, azeite de dendê, castanha e amendoim, é oferenda e é refeição coletiva ao mesmo tempo, servido em grandes quantidades e compartilhado por quem chega.

Manter o evento nesse período é, portanto, uma forma de ancorar a festa no calendário afro-baiano em vez de tratá-la como um encontro social qualquer. A proposta declarada pela organização é celebrar as tradições baianas em uma experiência que une gastronomia, moda, música e encontros.

A programação

A parte musical fica por conta do show de Jhaca, além de apresentação de DJ ao longo da tarde. O formato mistura a mesa farta com a pista, seguindo o desenho que se consolidou nas edições anteriores: o caruru servido no início, a música ganhando espaço conforme a tarde avança.

O evento é realizado pelo produtor e promoter Ginno Larry, que assina a curadoria desde a primeira edição, e conta com o apoio das marcas Damare, San Paolo, Minalba e 3 Corações. Trata-se de um encontro exclusivo para convidados, sem venda aberta de ingressos.

Um formato que se multiplicou

Nos últimos anos, Salvador viu crescer o número de carurus produzidos fora do circuito estritamente doméstico ou religioso. Casas de moda, restaurantes e produtores culturais passaram a organizar suas próprias versões, transformando o prato em uma espécie de plataforma de encontro. A crítica que às vezes acompanha esse movimento é a de que a festa se distancia da origem devocional. A defesa mais frequente é a de que o caruru sempre foi, por definição, um ritual de partilha, e que espalhá-lo amplia o alcance de uma tradição em vez de esvaziá-la.

O que é consenso é o peso da cozinha na identidade cultural baiana. O caruru divide com o vatapá, o acarajé e a moqueca o núcleo de uma culinária que veio da diáspora africana e se tornou marca reconhecível do estado dentro e fora do Brasil. Cada edição de uma festa como essa funciona também como manutenção prática desse repertório: alguém precisa continuar preparando o prato, ensinando o ponto do dendê e reunindo gente em torno da mesa para que a receita não vire apenas verbete.

Quem não estiver na lista de convidados encontra, ao longo de setembro, dezenas de carurus abertos em terreiros, casas de família e restaurantes da capital e do Recôncavo, muitos deles gratuitos.

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