A Chapada Diamantina terá três dias de reggae em outubro. A terceira edição do Festival de Reggae do Vale do Capão acontece de 9 a 11 de outubro de 2026, no distrito ligado ao município de Palmeiras, com entrada gratuita em toda a programação.
Quem toca
A grade reúne nomes que circulam pelo circuito reggae baiano, entre eles DichavA, Chapada Roots e Conexão Ponte Velha. Este último é um caso à parte: o grupo é formado por integrantes de uma mesma família de Palmeiras e aproveitará o festival para apresentar seu álbum de 2026, que mistura o reggae roots com elementos de ijexá, samba de roda, maracatu e forró.
Essa costura entre o reggae jamaicano e ritmos brasileiros de matriz africana é uma das marcas da cena baiana do gênero, que há décadas produz leituras próprias em vez de reproduzir o modelo importado. Um álbum feito no interior da Chapada, com essa mistura, e estreado diante do público local dá a medida do que o festival pretende ser.
Oficinas e formação
Além dos shows, a programação inclui oficinas de dança reggae nos dias 9 e 10 de outubro, conduzidas por Paty Crespí, do Jahmove Reggae Steps. A atividade abre espaço para quem quer entrar no festival pela via da prática, e não apenas como plateia.
Produção comunitária
O festival é independente e organizado de forma comunitária pelo coletivo Nós Somos o Mundo, ativo desde 2015. A produção é assinada pelo artista circense Dery Lima, do Perna de Grilo, que desenvolve projetos culturais entre Salvador e Palmeiras.
Um dos objetivos declarados da organização é estimular a circulação de renda no território. Um evento gratuito de três dias em um distrito pequeno movimenta hospedagem, restaurantes, transporte, comércio e serviços ligados ao turismo, setores que sustentam boa parte da economia local. Em vez de cobrar ingresso, o festival aposta na permanência do visitante como forma de retorno econômico para quem mora ali.
O Vale do Capão como palco
Encravado na Chapada Diamantina, o Vale do Capão é conhecido pelas trilhas que levam à Cachoeira da Fumaça e por uma comunidade formada ao longo de décadas por moradores vindos de várias partes do país e do exterior. Esse histórico produziu um lugar com forte vocação para eventos culturais de pequeno e médio porte, em que a paisagem faz parte do programa.
Realizar um festival ali em outubro tem ainda uma vantagem prática: o período antecede a alta temporada de fim de ano e o pico das chuvas, quando as trilhas ficam mais difíceis. Para quem pretende combinar os shows com caminhadas pela região, é uma janela favorável.
Chegar ao Vale do Capão exige planejamento. O acesso mais comum parte de Palmeiras, com trecho final em estrada de terra, e a rede de hospedagem, embora variada, é limitada em número de leitos. Como o festival não cobra entrada, a recomendação usual é resolver a acomodação com antecedência.