MP-BA investiga transporte clandestino na rodoviária de Águas Claras

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu procedimento para apurar a atuação de transporte clandestino e falhas nos mecanismos de segurança do Terminal Rodoviário de Águas Claras, em Salvador. A medida foi tomada pela 2ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, e a portaria de instauração foi assinada pela promotora de Justiça Fernanda Pataro de Queiroz.

O instrumento adotado é um Procedimento Preparatório de Inquérito Civil, etapa que antecede o inquérito propriamente dito e serve para reunir elementos antes de o Ministério Público decidir se cabe cobrança formal de providências. A apuração se fundamenta no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

O que está sob apuração

O procedimento mira quatro frentes: a presença de transporte clandestino na área interna do terminal e no entorno, falhas nos mecanismos de controle de acesso, deficiências de fiscalização e problemas nos protocolos de segurança adotados no local.

O terminal de Águas Claras é descrito como o maior hub de transporte multimodal do estado. Ele concentra a operação rodoviária intermunicipal e interestadual que antes se distribuía pelo antigo terminal, e recebe diariamente passageiros que chegam a Salvador ou seguem para o interior da Bahia e para outros estados.

Como o caso chegou ao consumidor

A investigação não nasceu do zero. Ela resulta do desmembramento de um processo anterior, que tramitava na 6ª Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial. Ao ser separado, o recorte que trata da relação de consumo — ou seja, do passageiro que compra passagem e usa a estrutura do terminal — passou para a promotoria especializada em direito do consumidor.

Esse desmembramento tem efeito prático. Enquanto o controle externo da atividade policial olha para a atuação das forças de segurança, a promotoria do consumidor examina a relação entre quem oferece o serviço e quem paga por ele. É por essa chave que entram temas como segurança do usuário dentro do equipamento, informação adequada e fiscalização do que é vendido no local.

Transporte clandestino

O transporte irregular de passageiros é um problema recorrente no entorno de terminais rodoviários. Veículos que operam fora do sistema regulado disputam passageiros com as empresas autorizadas, sem passar pelos mesmos controles de vistoria, seguro e habilitação de motorista. Para o passageiro, a diferença aparece justamente quando algo dá errado: não há a mesma cadeia de responsabilidade nem os mesmos mecanismos de reparação.

Procedimentos preparatórios como esse costumam envolver a requisição de informações a órgãos e concessionárias, além da coleta de documentos sobre a operação do terminal. A conclusão pode levar ao arquivamento, à conversão em inquérito civil, à celebração de compromisso de ajustamento de conduta ou ao ajuizamento de ação civil pública.

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