Bahia decide reintegrar Ramírez ao time após laudo não comprovar injúria racial

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Clube baiano contratou perícia em língua estrangeira, que não identificou injúria racial do meia tricolor contra o volante Gerson, do Flamengo

O Esporte Clube Bahia decidiu reintegrar o jogador Índio Ramírez ao time. O meia-atacante havia sido afastado depois da acusação de injúria racial feita por Gerson, volante do Flamengo, ao final da partida entre os clubes no Maracanã.

Em documento que chamou de “Carta à sociedade”, o clube baiano afirmou que a decisão foi tomada com base nos laudos das perícias em língua estrangeira contratadas pelo time, que não identificaram a injúria racial apontada pelo atleta rubro-negro.

“[…] mesmo dando relevância à narrativa da vítima, não deve manter o afastamento do atleta Índio Ramírez ante a inexistência de provas e possíveis diferenças de comunicação entre interlocutores de idiomas diferentes. O papel do Bahia é de formação e transformação, sempre preservando os direitos fundamentais e a ampla defesa”, diz o Bahia no documento.

Ramírez deverá ser reincorporado após aval da comissão técnica e de psicólogos do clube. Não há data prevista para esse retorno.

Apesar da decisão, o Bahia reforçou que existe o que considera “comprovada estrutura racista” que negligencia direitos e nega a existência de pessoas negras, sendo o futebol reflexo desse modelo de sociedade. Na dinâmica em vigor, para o Bahia, quando o racismo não é negado, adere a um populismo punitivista que finge resolver o problema punindo o agressor.

Diante disso, o clube se comprometeu a adotar um conjunto de medidas consideradas estruturais, como a inclusão de cláusula antirracista, antixenofóbica e anti-homofóbica no contrato dos atletas; proposta de criação de protocolo antidiscriminatório para jogos de futebol no Brasil; implantação do projeto “Dedo na Ferida” para o elenco na pré-temporada, com imersão sobre racismo estrutural. O clube afirmou também que encaminhará à mesa do Conselho Deliberativo a incorporação de cotas raciais nas próximas eleições; que incluirá espaço no Museu do Bahia dedicado ao combate ao racismo, xenofobia, sexismo, LGBTfobia e demais formas de intolerância; e que apoiará o projeto de lei que cria o Dia Nacional da Luta Contra o Racismo no Futebol.

bahia.ba

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