Canadá celebra aniversário em meio ao avanço de movimentos separatistas
Enquanto o Canadá comemora seus 159 anos de fundação nesta terça-feira (1º), o país enfrenta um momento de tensão política marcado pelo fortalecimento de movimentos separatistas nas províncias de Alberta e Quebec.
O primeiro-ministro Mark Carney tenta preservar a unidade nacional diante de dois desafios simultâneos. Em Alberta, os eleitores participarão, em outubro, de um referendo sobre soberania provincial, enquanto, em Quebec, o Partido Quebequense, favorável à independência, lidera as pesquisas para as eleições provinciais e promete realizar um novo referendo separatista até 2030, caso vença.
Para marcar o Dia do Canadá, Carney visitará Edmonton, capital de Alberta e sua cidade natal, onde deve reforçar a defesa da permanência da província na federação canadense. Segundo o premiê, o país “vale a pena ser defendido”.
Especialistas avaliam que as dimensões territoriais do Canadá e as fortes identidades regionais alimentam tensões históricas entre as províncias e o governo federal.
Em Quebec, que possui maioria francófona, o debate sobre independência já motivou dois referendos, em 1980 e 1995. Atualmente, o apoio à separação gira em torno de 30%.
Já em Alberta, rica em petróleo e gás, parte da população acusa o governo federal de prejudicar o desenvolvimento econômico da província por meio de políticas ambientais e de restrições à expansão de oleodutos. Pesquisas indicam que entre 25% e 30% dos eleitores apoiam a separação.
Mark Carney, que acompanhou de perto o processo do Brexit quando presidiu o Banco da Inglaterra, comparou o cenário canadense ao vivido pelo Reino Unido e alertou para os riscos de movimentos separatistas. Segundo ele, promessas de independência costumam simplificar as consequências econômicas e políticas de uma eventual ruptura, colocando em risco a estabilidade e a credibilidade internacional do país.

