Chips no cérebro devolvem movimentos a pacientes com paralisia; entenda
Pacientes com tetraplegia, esclerose lateral amiotrófica (ELA) ou lesões graves na medula já estão voltando a controlar braços robóticos, cursores e aparelhos digitais só com o pensamento. É o avanço das interfaces cérebro-computador, chips capazes de ler os impulsos elétricos do cérebro e transformá-los em comandos em tempo real.
Diferente da estimulação cerebral profunda, usada há décadas contra o Parkinson, os novos implantes focam em captar diretamente os sinais do cérebro. O da empresa americana Neuralink usa microfilamentos que entram no tecido cerebral, enquanto pesquisadores chineses colocam os eletrodos sobre a dura-máter, a membrana que cobre o órgão.
Não basta implantar. O paciente precisa reaprender. “O paciente tem que retreinar o cérebro dele para relembrar como faz aquele movimento. Isso tudo com fisioterapia, para que ele consiga controlar a prótese de forma adequada”, explica o especialista Waihrich.
O corpo também reage. “O eletrodo é um corpo estranho e o organismo vai produzir uma resposta inflamatória”, diz o neurocirurgião André Meireles Borba, da Clínica Delaborba. Essa reação, chamada gliose, pode piorar a qualidade do sinal, e há paciente que perdeu o sinal em cerca de um ano. A inteligência artificial ajuda a filtrar ruídos e a acelerar o aprendizado dos sistemas.
Por enquanto, os chips de leitura só estão disponíveis em ensaios clínicos, para pessoas com déficit motor grave e estável e com as áreas do cérebro que geram os comandos preservadas. No Brasil, o uso comercial autorizado se limita à estimulação cerebral profunda.

