O Diabo Veste Prada 2 aposta na nostalgia, repete fórmulas, mas ainda consegue surpreender
A aguardada sequência de O Diabo Veste Prada chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30) cercada de expectativa. Em O Diabo Veste Prada 2, a nostalgia é o principal trunfo — e também uma de suas limitações. O longa revisita conflitos já conhecidos, mas encontra espaço para surpreender em momentos pontuais.
Andy Sachs e o déjà vu profissional
Logo no início, o filme responde à dúvida deixada pelo original: qual foi o destino de Andrea “Andy” Sachs, personagem de Anne Hathaway? Duas décadas depois, ela surge consolidada no jornalismo, com carreira premiada — mas vê sua estabilidade ameaçada e retorna à revista Runway.
A escolha narrativa, embora funcional, soa repetitiva. O roteiro retoma dilemas já explorados anteriormente, o que enfraquece a evolução da personagem. A dependência emocional de Andy em relação à aprovação de Miranda Priestly, vivida por Meryl Streep, também chama atenção — e causa estranhamento, já que contradiz o amadurecimento apresentado no primeiro filme.
Menos moda, menos impacto
Se no longa original a moda era praticamente uma protagonista, aqui ela perde protagonismo. Os figurinos seguem presentes, mas sem o mesmo brilho ou impacto cultural que marcou a transformação de Andy em 2006. O glamour continua, mas em segundo plano.
Uma nova Miranda
Entre os acertos do filme está a atualização de Miranda Priestly. Ainda imponente, a personagem agora enfrenta um cenário editorial em transformação, com a revista tentando sobreviver às mudanças no consumo de mídia.
Essa nova abordagem humaniza a “dama de ferro”, que passa a ser confrontada e precisa se adaptar. A mudança é coerente com o contexto atual e traz frescor à narrativa, funcionando como um dos pontos mais fortes do longa.
Trilha sonora em destaque
A trilha sonora também merece atenção. Se o primeiro filme eternizou Vogue, de Madonna, a sequência aposta em RUNWAY, parceria entre Lady Gaga e Doechii.
Embora não tenha o mesmo peso simbólico, a faixa cumpre bem seu papel. A trilha ainda inclui nomes como U2, Alanis Morissette, SZA e Olivia Dean.
Vale a pena?
O Diabo Veste Prada 2 funciona melhor como uma experiência nostálgica do que como uma evolução narrativa. Apesar de repetir fórmulas e deixar lacunas no desenvolvimento da protagonista, o filme entrega entretenimento e momentos envolventes.
Para fãs do original, é um reencontro agradável. Já para quem busca inovação, pode soar como uma revisita estilizada — mas ainda assim divertida — a um universo já conhecido.

