Rodrigo Santoro: “A lA�ngua inglesa A� um corpo estranho, um obstA?culo”

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Foto: Brian Browen Smith / DivulgaA�A?o
Foto: Brian Browen Smith / DivulgaA�A?o

Depois do impiedoso coronel AfrA?nio da novela Velho Chico, Rodrigo Santorovolta a brilhar, agora em uma produA�A?o hollywoodiana. Em Ben-Hur, que estreia nos cinemas na quinta-feira (18), o ator dA? vida a Jesus Cristo. Na histA?ria, o pA?blico acompanha a saga de Judah Ben-Hur (Jack Huston), jovem representante da nobreza de JerusalA�m que se vA? em apuros depois que Messala (Toby Kebbell), seu irmA?o adotivo e importante soldado romano, o acusa de liderar uma insurreiA�A?o popular contra o exA�rcito de Roma.

Como pena, o protagonista A� escravizado e sua famA�lia, condenada a morrer na cruz. Seu A?nico consolo sA?o as palavras que ele ouve de Jesus (Santoro) dias antes de ser preso. A mensagem edificante do lA�der espiritual, aliA?s, A� o que pode salvA?-lo de uma desgraA�a completa em sua vida. QUEM conversou com Santoro.

Como foi viver Jesus?
Rodrigo Santoro: Eu jA? tinha sido convidado para a o espetA?culo da PaixA?o de Cristo, mas nA?o consegui fazer. Fiquei com essa ideia na cabeA�a, porque Jesus A� um personagem incomparA?vel. Foi uma experiA?ncia A?nica, uma jornada A�ntima, espiritual. E foi uma escolha consciente: eu queria ter essa experiA?ncia que transcendeu a prA?pria experiA?ncia, o prA?prio trabalho do ator, transcendeu qualquer expectativa que eu tivesse. Eu me propus a visitar um lugar dentro de mim que eu nunca tinha visitado antes.

Que lugar interno A� esse?
RS:
Tive de fazer um mergulho dentro de mim, porque nA?o adianta tentar imaginar como Jesus falava ou se portava. O importante A� a essA?ncia do que a gente conhece, de amor incondicional dele. Tive um tempo para me preparar, fiz pesquisa dos filmes que jA? retrataram Jesus, fui buscar informaA�A�es na literatura, nos evangelhos, no Jesus histA?rico, que A� diferente do bA�blico. A preparaA�A?o nA?o teve um fim, continuo me preparando para aplicar esses ensinamentos na minha vida. Esse serA? o maior legado dessa experiA?ncia.

O filme mexeu com a sua religiosidade?
RS:
Mexeu com a minha espiritualidade, nA?o necessariamente a religiosidade. Criei uma relaA�A?o muito pessoal com a ideia de Jesus, do que ele representa. Foi um processo de amadurecimento.

Segue alguma religiA?o?
RS:
Sou cristA?o, mas gosto muito do budismo, do hinduA�smo, bebo na fonte do oriente, faz muito sentido para mim. Pratico ioga, meditaA�A?o transcendental. Tenho a minha forma de me relacionar com a minha prA?pria espiritualidade.

Ainda A� um desafio interpretar em inglA?s?
RS:
Sim. Porque A� uma lA�ngua estrangeira A� minha natureza. NA?o aprendi inglA?s quando eu era pequeno, fui aprender depois dos 20 anos, por isso, a lA�ngua inglesa A� um corpo estranho, um obstA?culo: nA?o me expresso em inglA?s da mesma forma que me expresso em portuguA?s. Senti muito quando fiz Velho Chico, senti uma liberdade muito grande de falar com a minha cultura e meu paA�s. Foi muito libertador e gratificante.

Por falar em Velho Chico, vocA? esperava tanto sucesso em relaA�A?o a essa sua participaA�A?o?
RS:
NA?o. Procuro nunca criar expectativas, porque, no trabalho do artista, a gente precisa lidar com altos e baixos, com frustraA�A�es o tempo todo. Ainda mais no meu caso, porque sou um freelancer: cada hora faA�o uma coisa, faA�o testes, nA?o passo, A�s vezes um filme que ia acontecer em agosto acontece sA? em novembro… Eu jA? estava flertando com a televisA?o havia um tempo, queria muito fazer uma novela de novo, para ter esse tipo de contato com o pA?blico. E com esse trabalho: gravar 15 cenas por dia. Esse ritmo me coloca num lugar menos confortA?vel, mas me impulsiona e me desafia, mexe com as coisas que adormecem dentro da gente e deixam a gente acostumado.

O pA?blico sempre cobrou de vocA? uma volta. Esse trabalho reforA�ou essa cobranA�a?
RS:
Sim, as pessoas perguntam qual serA? o prA?ximo trabalho. NA?o sei ainda, mas digo que haverA? um prA?ximo. Tenho que tentar encontrar um projeto que me exija um compromisso de alguns meses, nA?o de um ano, porque existem outros trabalhos aos quais quero me dedicar.

VocA? estA? com 40 anos e muito bem fisicamente. Existe algum segredo?
RS:
NA?o existe fA?rmula. O mais importante A� trabalhar com aquilo de que se gosta, isso dA? uma alegria interna. Eu me alimento bem, faA�o muito esporte: jogo vA?lei, futebol, pratico surfe. Tenho uma alimentaA�A?o saudA?vel, mas sem radicalismo, porque adoro sorvete e chocolate.A� Mas faA�o tudo por gosto e opA�A?o. A minha vaidade estA? sempre ligada A� saA?de. Preciso dormir bem para estar bem e nA?o fico tomando cafA� nem estimulantes para aguentar o dia de trabalho.

 

Fonte: Globo.com

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