Concurso Salvador Vai de Cafezinho escolhe o melhor carrinho de café

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Fonte – A Tarde Online

No Dia do Trabalho, 1º de maio, o melhor carrinho de café de Salvador será escolhido e premiado pelo projeto “Salvador Vai de Cafezinho – Programa de Mobilização Social na Perspectiva da Salvaguarda dos Carrinhos de Café”, que luta pelo reconhecimento destes instrumentos de trabalho originais e soteropolitanos como o primeiro patrimônio material e imaterial (ao mesmo tempo) a ser reconhecido pela Prefeitura da capital.

O desfile virtual começa às 16h e será transmitido ao vivo pelo YouTube da Fundação Gregório de Mattos. A cerimônia será conduzida pelo ator e roteirista Alan Miranda, que foi convidado por Edvard Passos para viver o personagem fictício Borra – vendedor ambulante de cafezinho do futuro que viaja de volta no tempo para reunir os colegas de profissão para juntos lutarem pelo reconhecimento do carrinho de café como patrimônio cultural de Salvador. O personagem é uma criação de Edvard, que desde 2010 trabalha com Alan. Borra será o MC do desfile.

A escolha dos vencedores será a partir de vídeos realizados com celular pelos vendedores de cafezinho, enviados à comissão julgadora, formada por Alberto Pitta, Gerônimo Santana, Maria Menezes, pelo fotógrafo Adenor Gondim e pelo diretor do projeto Edvard Passos. Serão selecionados 10 finalistas e os prêmios são : 1º colocado R$ 5 mil; 2º colocado R$ 4 mil; 3º colocado R$ 3 mil. Os outros sete finalistas ganham R$ 600 cada.

No dia 5 de maio, no site do projeto, será aberta a “Exposição dos Vencedores”, que reunirá virtualmente os carrinhos dos 10 finalistas, além de imagens inéditas de carrinhos de café, cedidas pelo fotógrafo e pesquisador Adenor Gondim. No site, além da mostra, estarão descritas todas as ações do projeto, histórico sobre os carrinhos de café, notícias… O projeto também está negociando junto ao Sebrae cursos de qualificação para os vendedores de cafezinho e organizando um grupo de Whatsapp com o papel de fomentar a consciência de classe entre eles e distribuirá cestas básicas para os inscritos, obtidas através de doações dos amigos dos Cafezinhos de Salvador. E a sociedade baiana está convidada a participar da doação.

Como nasceu o projeto

A ideia do projeto “Salvador Vai de Cafezinho – Programa de Mobilização Social na Perspectiva da Salvaguarda dos Carrinhos de Café” nasceu nas rodas de bate-papo do projeto “Patrimônio É”, sobre patrimônio cultural material e imaterial da cidade de Salvador, promovidas pela Diretoria do Patrimônio, da Fundação Gregório de Matos. Em 2020, Edvard Passos mediou a mesa “Carrinho de Café: Patrimônio em Movimento”, com a participação do fotógrafo Roberto Faria e do museólogo Eduardo Fróes.

Inspirado por esta experiência, Edvard Passos, que é diretor artístico do projeto, diretor teatral, mas também arquiteto, decidiu revitalizar a ideia dos concursos de carrinho de café de Salvador, incrementando o projeto com outras ações, em benefício dos “cafezinhos”.

Para além disso, o realizador do projeto acredita que a cultura popular é um tesouro incalculável, especialmente numa cidade como Salvador, que sintetizou muitas experiências humanas vindas de toda parte do mundo. Edvard Passos é um artista que se declara muito motivado pelas criações do povo, como demonstram os projetos que já realizou no teatro dedicados à obra de Jorge Amado, ao carnaval, à Raul Seixas, ao Esporte Clube Bahia e ao poeta Castro Alves.

“O carrinho de café sempre foi uma verdadeira paixão para mim. São fascinantes, hipnotizantes, tri-eletrizados, ambulantes. Eles são transformadores da paisagem da cidade, com muita irreverência, criatividade e ludicidade. É como um brinquedo, que é também instrumento de trabalho, artefato muito inventivo, com possibilidades performáticas imensas. Ele diz muito sobre nós.

O carrinho de café é resistência, a materialização da inteligência e inventividade na luta contra opressão e pela sobrevivência. Eles são herdeiros de uma linhagem estética popular barroca da Cidade da Bahia, são primos das barracas de festa de largo, netos dos saveiros, sobrinhos dos trios elétricos. Essa rica ambiguidade, esse design em prol de um trabalho que seja, ao menos, um pouco menos extenuante e mais prazeroso… Não é à toa que foi surgir justo em Salvador”, conclui Edvard.

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