Familiares e colegas de profissão se despedem do Soldado Wesley Soares

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Por Faber Vieira

Sob aplausos e orações, o soldado da Polícia Wesley Soares Góes foi enterrado nesta segunda feira na cidade de Itabuna. Na tarde do último domingo, em pleno Farol da Barra, cartão postal da capital baiana, ele protagonizou um dos episódios mais chocantes e emocionantes dessa pandemia. Fardado e com as cores da bandeira nacional, o verde e o amarelo, pintadas no rosto, o militar bradava o orgulho em ser policial e a vontade de exercer sua profissão de forma digna.


Natural de Belo Horizonte (MG), mas radicado no Sul da Bahia, Wesley tinha 38 anos e era noivo. Desde 2008 ostentava com orgulho a farda da PM baiana e, há cerca de 10 anos, estava lotado na 72ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) em Itacaré, há 250 km da capital. Para quem conviveu diariamente com ele, a lembrança é de uma pessoa do bem, de personalidade e caráter ilibado, e de muito respeito pelos colegas e pela profissão. “Amava o que fazia”, afirmou um amigo.


Nas redes sociais seguidores lamentaram a sua morte. Uma amiga escreveu que ele sempre foi um rapaz alegre e carinhoso e que tinha a música como hobby. Nas horas de folga gostava de tocar sanfona e cavaquinho. Em entrevista na manhã desta terça feira, o próprio comandante da PM da Bahia, coronel Paulo Coutinho, reforçou a idoneidade de Wesley: “Em 13 anos na corporação, o soldado nunca apresentou nada para que a instituição se preocupasse com sua saúde mental.”


Entretanto, sem poder se identificar por medo de represálias, um colega de trabalho afirmou que Wesley não concordava com o direcionamento dado pelo comando da PM no período de pandemia e por isso estaria sendo perseguido. “Ele tinha personalidade forte e se posicionava contra o que considerava errado e abusivo. E por esse motivo alguns querem taxar ele como louco. Mas o que ele fazia era expressar sua opinião diante da pressão que todos nós policiais estamos passando. Mas a maioria não tem coragem de falar!”, afirmou emocionado.


Durante seu protesto solitário, Wesley repetidas vezes mostrou indignação com as ordens dadas pelo governo do Estado durante o período de toque de recolher: “Eu quero trabalhar com honra, com dignidade. Eu não vou mais prender trabalhador, não entrei na polícia pra prender pai de família. Quero trabalhar com dignidade, porque sou policial militar da Bahia.” Em outro momento, registrado em câmeras de celular ele fala: “Comunidade, venham testemunhar a honra ou a desonra de um policial militar do Estado da Bahia.” Em outro vídeo, ele afirma “Não vou deixar, não vou permitir que violem a dignidade e honra do trabalhador.”


Wesley foi morto, por volta das 18h30, com vários disparos efetuados pelo Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e com transmissão ao vivo em diversos canais de TV e em todas as redes sociais.

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