Neto critica ação do MP-BA que pede o retorno de 100% da frota de transporte em Salvador

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O prefeito ACM Neto subiu o tom contra a ação ajuizada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Enfrentamento ao Novo Coronavírus do Ministério Público (MP-BA) que pede para que Salvador retome a circulação de 100% da frota de ônibus, que significa 2.213 veículos, do sistema de transporte coletivo municipal através de determinação judicial.

“Quando voltarmos às aulas e retomarmos o movimento normal da cidade, faz sentido. Agora? Não existe. Quer tratar o assunto com seriedade? Faz como estamos fazendo e ajuda com medidas para contornar esses problemas. O outro caminho, e eu sei que muita gente do Ministério Público não anda de ônibus, é você passar a conta para o usuário. Querem que a passagem vá a R$5 em Salvador? Então que o Ministério Público diga que quer, aí colocamos 100% da frota”, disse.

Durante entrega da Biblioteca Denise Tavares, no bairro da Liberdade, o gestor questionou a viabilidade da ação, já que o número de passageiros continua reduzido de acordo com os cálculos da prefeitura, e afirmou que a gestão municipal não tem condições de arcar com o prejuízo decorrente da atividade.

“Quem vai pagar essa conta? Óbvio que quero 100% da frota rodando na cidade, mas precisamos ver os números. Em todo esse período de pandemia nós tivemos uma clara diferença entre o número de passageiros transportados e o número de veículos circulando na cidade. No começo tínhamos 28% do número total de passageiros comparado com o período normal e uma frota de 40% disponível. Na medida que o número de passageiros foi aumentando, nós aumentamos a frota. Hoje transportamos 56% do número de passageiros e temos 80% da frota disponível”, informou.

“No momento, a prefeitura não pode arcar com essa conta. Se eu por o dinheiro inteiro da prefeitura em empresa de transporte público eu vou ter que parar de pagar limpeza, hospitais e outros setores que carecem da gestão municipal, não tem como”, completou.

Ação pública

O pedido do Ministério Público da Bahia foi ajuizado em ação civil pública promotores de Justiça Rita Tourinho, Rogério Queiroz e Adriano Assis. Em comunicado enviado à imprensa, o órgão afirma que “Foi solicitado ainda que a Justiça determine, em decisão final, a total retomada da frota durante todo o horário regular de circulação”.

Ainda de acordo com o MP, o ajuizamento da ação responde à pesquisas de campo realizadas no final de setembro e início deste mês pela equipe técnica da Coordenadoria de Segurança Inteligência (CSI) do MP, que constatou ônibus lotados e uma demanda de passageiros maior que a frota disponível.

O levantamento apontou que com 55% dos passageiros, a demanda de 65% da frota é “insuficiente para acomodar a demanda do serviço, como evidenciam as frequentes aglomerações nos ônibus”.

Segundo a ação, a perspectiva da Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob) seria disponibilizar 100% da frota, isto é, 2.213 veículos, a partir somente da fase 4 de retomada da atividade econômica na cidade. No entanto, os promotores destacaram que essa proposta desconsidera o risco de contágio por Covid-19 que a população está atualmente exposta ao circular em ônibus superlotados.

Fonte: A Tarde Online

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