Execução do PM Wesley poderia ter sido evitada caso protocolo de negociação fosse respeitado

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Um dia após o desfecho desastroso que resultou na morte do policial militar Wesley Soares de Góes, cometido por uma equipe tática do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar da Bahia (BOPE/PMBA), no domingo (28), em frente ao Farol da Barra em Salvador, os policiais baianos ainda se perguntam se a morte do militar poderia ser evitada.

O PM Wesley Soares Goês era lotado na 72ª Companhia Independente de Polícia de Itacaré, cerca de 400km de Salvador, depois de se apresentar ao serviço para trabalhar, ele fez carga de pistola e um fuzil 556, informou que iria em casa, entretanto pegou um carro e viajou para Salvador com o objetivo de protestar contra o governador e as imposições postas pelo lockdown, que vem reprimindo trabalhadores, comerciantes e empresários em todo o estado.

Ao chegar na capital se dirigiu ao Farol da Barra, cartão postal de Salvador. Armado com seu fuzil, Wesley ao passar por um barreira e estacionar em frente ao Farol, pintou o rosto de verde e amarelo e realizou alguns disparos, chamando atenção dos transeuntes e policias militares que faziam rondas no bairro.

Amplamente foi divulgado pelo governo do estado que a equipe tática do Bope utilizou de protocolos internacionais para gerenciar a crise. O que de fato não aconteceu.

O site Rx Notícias realizou um ampla consulta sobre esses protocolos de gerenciamento e percebeu que nenhum deles foram adotados, muito menos se pensou em preservar a vida do homem que desejava somente chamar atenção dos problemas do nosso estado.

Na história das agências de polícia, a primeira que concebeu e executou um programa de gerenciamento de crises e recuperação de reféns foi o FBI, onde incluiu detetives treinados, como negociadores, além dos agentes da SWAT que já estabeleciam equipes para respostas a incidentes.

No Brasil, a Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP/MJ, busca padronizar a doutrina e atuação das polícias em todo o país.

Incidentes sempre existiram, como exemplo: o sequestro do ônibus 174, o sequestrador de ônibus na ponte Rio-Niterói e o caso dos quatro marginais no bairro da Santa Cruz, que invadiram o posto de saúde por mais de 4h e mantiveram 16 reféns, onde uma equipe tática do Bope foi acionada para negociar e atenderam as exigências de presença dos familiares e da imprensa para que fossem garantido suas vidas.

Devido a essas crises, as Academias de Polícia disciplinam o curso Gerenciamento de Crise, que apresentam alternativas na opção táctica. No caso Wesley, apesar de estar armado, ele não fez reféns e nem fazia exigência, não colocava terceiros em risco, só a si mesmo.

Em crises, a missão do negociador é reduzir os riscos das vidas envolvidas, neste caso, somente a vida do SD Wesley. A arma do negociador não deve ser letal, mas sim a comunicação, a razão e a paciência. Nesse tipo de incidente não se pode ter compreensão do tempo, um fato desse pode levar horas ou até dias, mas sempre a paciência e a empatia devem ser priorizadas.

Deve ser observado que no caso Wesley não foi visto nenhum plano de negociação para salvaguardar sua integridade física. Todos os vídeos divulgados nas redes sociais e no meio de imprensa, não aparece em nenhum momento o negociador afastado do grupo tático e buscando proximidade com o militar.

Caso fossem seguidos os padrões de negociação, haveria três possibilidades de solução:

I. O negociador pede a entrega das armas e seguinte rendição sem resistência;

II. Outra opção do negociador seria deslocar Wesley para outro local, onde ofereceria melhores condições para buscar a rendição sem o uso de ação tática;

III. Por último a resolução tática que resulta na neutralização do militar, que de certa forma foi a única opção oferecida ao Wesley. O que ocorreu, tiros de comprometimento por vários policiais. No protocolo essa seria a última alternativa, tendo em vista o grande risco ao envolvido.

Na identificação de risco deve buscar conhecer o perpetrado, se é extremista, fanático, criminoso, prisioneiro ou uma combinação desses tipos. O que não vinha ao caso do policial Wesley.

Caso houvesse um negociador, interessado na rendição do policial ele utilizaria das técnicas de atender exigências razoáveis, caso o policial houvesse solicitado. Outro fator foi a ausência de um posto de comando que tem autonomia para ceder ou concordar com as exigências, ganhando tempo até o desfecho da operação.

Os vídeos mostraram que o distanciamento entre o policial, o negociador e a equipe tática demonstravam ameaça e só fez prejudicar o estabelecimento de uma comunicação confiante.

O mais absurdo foi a justificativa dada pelo governo pela atitude de Wesley, como uma pessoa com transtornos psicóticos, contrariando inclusive sua ficha funcional, já que o mesmo não apresentava qualquer comunicado de agressão, mudança de comportamento e de rotina ou angustias e inquietudes.

Durante o protesto do militar nenhum representante de classe, político ou religioso, muito menos algum representante dos Direitos Humanos se fez presente para auxiliar o negociador, buscando sempre a preservação da vida, técnicas utilizadas em outros incidentes e que também não foi aplicada.

O episódio finalizou de forma trágica e demonstrada uma incapacidade de seguir os protocolos de gerenciamento de crise. Como houve uma quebra de cadeia de comando, já que no momento de forma voluntária ou involuntária, aconteceu um disparo por parte do policial Wesley que não atingiu nenhum membro da equipe tática ou algum civil, mesmo assim ao se virar, de acordo com os vídeos amplamente divulgados pela mídia, foi atingido diversas vezes, mesmo o militar já caído ao solo junto com sua arma, continuou sendo alvejado, configurando uma execução.

Fonte: rxnoticias

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